Nova onça-pintada volta a circular perto de casas em Corumbá e passa a ser monitorada pela PMA
A Polícia Militar Ambiental intensificou o monitoramento da região do Canal do Tamengo, em Corumbá, após o registro de uma nova onça-pintada circulando próximo a áreas habitadas. Câmeras de monitoramento da fauna foram instaladas com apoio do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), enquanto moradores receberam orientações para reduzir situações que possam atrair o animal. Até o momento, não há relatos de ataques ou outros incidentes relacionados ao felino.
Assim que recebeu o chamado da população, uma equipe da PMA esteve no local para verificar a ocorrência e iniciou o acompanhamento da movimentação do animal. Segundo o capitão Jorge Manuel Martins, as imagens captadas deverão auxiliar na identificação do exemplar e no estudo do seu comportamento antes da adoção de qualquer medida.
Como prevenção, a recomendação é que animais domésticos permaneçam recolhidos durante a noite e nas primeiras horas da manhã. A corporação também orienta que lixo e restos de alimentos não sejam deixados em áreas externas, prática considerada uma forma indireta de alimentação da fauna silvestre e que pode favorecer a aproximação de grandes predadores.
A presença de uma nova onça na mesma região não surpreende os especialistas. De acordo com a diretora-presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente de Corumbá, Cristina Fleming, o comportamento territorial da espécie faz com que outro indivíduo ocupe uma área quando o anterior deixa o local.
“Outro indivíduo fazer a aproximação no mesmo local era algo esperado. Quando você retira um animal de uma área de vida, normalmente outro assume.”
Segundo ela, embora a área seja classificada como rural, existem pelo menos duas famílias vivendo nas proximidades do trecho onde os registros do felino ocorreram.
Ainda não há informações suficientes para definir se será necessária uma captura. As imagens obtidas até agora indicam apenas que se trata de um animal jovem, sem permitir identificar o sexo ou confirmar se há outros exemplares utilizando a mesma região. A decisão dependerá do comportamento observado durante o monitoramento e da resposta às técnicas de afugentamento utilizadas pelas equipes.
Cristina lembrou que esse procedimento já foi empregado no caso da onça Corumbella, que permaneceu sendo monitorada por cerca de um ano antes de ser retirada da área. Segundo ela, refletores luminosos foram utilizados para tentar afastar o animal, mas, diante da permanência nas proximidades das residências, foi necessária a translocação para uma área remota da Serra do Amolar, onde continua acompanhada por meio de colar com GPS.
“No caso da Corumbella, fizemos todos os procedimentos e ela não recuou, por isso tomamos a decisão pela translocação.”
Antes da captura da Corumbella, moradores relataram desaparecimento de animais domésticos, situação que reforçou a avaliação de que ela havia se aproximado da área urbana em busca de alimento. Diferentemente daquele episódio, a nova ocorrência ainda não registra ataques nem prejuízos às famílias da região.
Para a diretora da Fundação Municipal de Meio Ambiente, a maior presença de onças nas proximidades de áreas ocupadas também está ligada às condições ambientais do Pantanal nesta época do ano. A estiagem e os incêndios florestais reduzem as áreas de abrigo e favorecem o deslocamento dos animais em busca de recursos.
“Estamos num período em que os animais procuram refúgio devido à chegada da seca. Os incêndios florestais também impactam.”
