EUA atacam canteiro de obras nuclear no Irã durante escalada militar regional
Um canteiro de obras de uma usina nuclear em Darkhoveyn, no sudoeste do Irã, foi alvo de um ataque na madrugada deste domingo, horário local, em meio à intensificação dos confrontos entre Teerã e Washington.
Autoridades iranianas qualificaram o episódio como uma agressão contra um projeto estratégico do país. “O canteiro de obras de Darkhoveyn, um dos símbolos da dignidade científica e da autossuficiência da nação iraniana, foi alvo de um ataque terrorista injustificável”, conforme comunicado da Organização de Energia Atômica do Irã AEOI publicado na mídia estatal Press TV.
A Agência Internacional de Energia Atômica AIEA, vinculada à ONU, informou que abriu investigação sobre os relatos e ressaltou que a instalação estava em estágio inicial de construção. “E não continha material nuclear quando foi visitada pela última vez pelo AIEA. Embora o ataque relatado não seja considerado como representando qualquer risco radiológico, o diretor geral Rafael Grossi reitera o apelo por moderação militar nas proximidades de todos os locais relacionados a nuclear”, diz comunicado da AIEA.
Sem comentar especificamente o incidente em Darkhoveyn, o Comando Central dos EUA CENTCOM relatou ter conduzido a oitava onda consecutiva de ataques contra alvos iranianos desde a retomada das hostilidades. “As forças do CENTCOM atingiram com sucesso instalações iranianas de vigilância costeira e defesa aérea, capacidades marítimas e locais de armazenamento de mísseis e drones, visando continuar a degradar as capacidades militares do Irã”, informaram os militares estadunidenses. Os EUA não se manifestaram sobre o ataque informado pelas autoridades iranianas ao canteiro nuclear.
A escalada regional se traduziu em ofensivas do Irã contra posições americanas e infraestrutura em aliados na região. O Exército iraniano afirmou ter atacado bases dos EUA no Kuwait, incluindo o acampamento al-Adiri, como resposta a ataques que teriam atingido infraestrutura civil. “Localizado a aproximadamente 104 quilômetros das fronteiras do Irã, o acampamento al-Adiri serve como um importante centro de apoio logístico e de reconstrução de força para as forças americanas”, diz comunicado do Exército iraniano publicado na mídia estatal persa.
Em Kuw ait, unidades de geração de energia e de dessalinização foram atingidas pela segunda vez em dois dias, segundo autoridades locais. No Bahrein e em território jordaniano também foram registrados ataques a bases americanas, com saldo de pelo menos dois militares estadunidenses mortos, conforme relatos das últimas horas.
As forças jordanianas informaram ter interceptado três de quatro mísseis que cruzaram o espaço aéreo do país, e detalharam o desfecho do projetil não derrubado. “O quarto míssil caiu em uma área remota e desabitada no sul da Jordânia. Os militares confirmaram que o incidente não causou vítimas nem danos materiais”, declarou o porta-voz das Forças Armadas da Jordânia em comunicado publicado pela agência estatal Petra.
O Irã também reportou ações de defesa contra aeronaves e navios inimigos. O Corpo da Guarda Revolucionária IRGC anunciou ter interceptado dois drones MQ-9 Reaper, e a Marinha da IRGC informou que quatro embarcações foram impedidas de passar pelo Estreito de Ormuz neste domingo.
Desde o início das novas hostilidades, Teerã afirma que 57 pessoas morreram nas sucessivas ondas de ataques, e acusa os Estados Unidos de terem atingido infraestrutura civil, incluindo hospital, pontes e postos de monitoramento do tráfego marítimo. Do outro lado, autoridades americanas atribuem ao Irã ataques contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, que teve o trânsito fechado em episódios recentes.
A investigação da AIEA sobre o canteiro de Darkhoveyn prossegue enquanto a comunidade internacional acompanha o aumento das operações militares na região e as implicações para instalações nucleares civis.

