Defesa de Neno Razuk busca derrubar prisão preventiva decretada pela Justiça
Defesa questiona prisão preventiva de Neno Razuk enquanto ex-deputado permanece foragido há seis dias
A defesa do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk, informou que vai pedir a revogação da prisão preventiva decretada pela Justiça. O advogado Ricardo Souza Pereira sustenta, em avaliação inicial, que a decisão não demonstrou a atualidade dos fatos nem indicou elemento novo para justificar a medida.
Após obter acesso ao decreto, a defesa iniciou uma análise detalhada dos fundamentos da ordem para apresentar as medidas judiciais cabíveis. Sobre uma possível entrega do ex-parlamentar, o advogado informou que a escolha cabe a Razuk. “Essa decisão depende dele”.
Ricardo Souza Pereira informou que a estratégia busca restabelecer a liberdade do investigado diante dos pontos que pretende levar ao Judiciário. “A defesa buscará o pronto restabelecimento da liberdade do investigado, por entender, em análise preliminar, que a decisão não evidencia a contemporaneidade dos fatos nem aponta fato novo apto a justificar a decretação da medida extrema de prisão preventiva, circunstâncias que serão oportunamente submetidas ao crivo do Poder Judiciário”.
Fundamentos da decisão judicial
A Justiça apontou risco à ordem pública ao decretar a prisão, pois o Gaeco identifica o ex-deputado como liderança de uma organização criminosa. A investigação também indicou que o grupo continuaria em atividade, o que levou ao entendimento de que a custódia cautelar poderia interromper as supostas práticas e proteger a instrução do processo.
Alvo de fases da Operação Successione desde dezembro de 2023, Neno Razuk recebeu, em primeira instância, pena de 15 anos, sete meses e 15 dias por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. Ele recorria em liberdade e também é réu na quarta fase da operação, deflagrada em 25 de novembro de 2025.
Em maio deste ano, a recontagem de votos determinada pela Justiça Eleitoral tirou de Razuk a cadeira na Assembleia Legislativa e, com ela, o foro por prerrogativa de função. A Operação Successione apura suspeitas de organização criminosa, roubo, corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar.
Criminalistas ouvidos pela reportagem afirmaram que a legislação penal não prevê crime para quem evita a própria prisão. Já esconder ou abrigar uma pessoa foragida pode configurar favorecimento pessoal, com pena de um a seis meses de detenção e multa, embora pais, filhos, cônjuge e irmãos sejam isentos de punição.

