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MPMS aponta fragmentação de habitats por maciços de eucalipto de até 20 quilômetros em MS

MPMS aponta fragmentação de habitats por maciços de eucalipto de até 20 quilômetros em MS

Parecer técnico identifica extensas áreas de eucalipto sem corredores ecológicos na região centro-leste de Mato Grosso do Sul

Grandes blocos contínuos de eucalipto, com trechos de até 20 quilômetros em linha reta sem corredores ecológicos, reduzem a ligação entre áreas de vegetação nativa e dificultam o deslocamento da fauna na região centro-leste de Mato Grosso do Sul. A constatação aparece em parecer técnico do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que aponta a fragmentação dos habitats como a principal preocupação ambiental ligada à expansão da silvicultura.

Na análise dos técnicos, o problema está na forma como os plantios se distribuem pela paisagem, e não no desmatamento em larga escala para a atividade. Sem áreas que conectem os remanescentes florestais, espécies encontram mais obstáculos para circular, enquanto o isolamento dos fragmentos de vegetação aumenta.

Expansão sobre pastagens

O documento indica que a maior parte da expansão recente dos eucaliptais ocupou terras já alteradas pela ação humana, principalmente antigas pastagens. A conversão predominante observada foi de áreas antes destinadas à pecuária para o cultivo de eucalipto, sem substituição direta de vegetação nativa na maior parcela dos casos.

Entre 2016 e 2024, porém, o levantamento mapeou 5.907,70 hectares de conversão direta de vegetação nativa em plantios de eucalipto, o equivalente a 0,38% da área de vegetação analisada. Desse total, 1.893,01 hectares, ou 32,04%, vieram de desmatamentos considerados ilegais, enquanto 4.014,69 hectares, correspondentes a 67,96%, tiveram supressão autorizada por órgãos ambientais.

O parecer também localizou 412,25 hectares de eucalipto em Áreas de Preservação Permanente, distribuídos por 134 propriedades rurais. O cruzamento com dados do Sistema de Cadastro Ambiental Rural identificou 3.669 imóveis com silvicultura na área estudada, dos quais 3,65% possuem plantios em APPs.

Muitas das áreas de preservação com cultivo já estavam degradadas antes da implantação da silvicultura e continuaram sem recuperação ambiental, conforme o levantamento. Para reduzir o isolamento dos fragmentos e permitir o trânsito da fauna, a análise cita APPs, Reservas Legais e corredores ecológicos como instrumentos previstos na legislação ambiental.

O estudo foi elaborado pelo Núcleo de Geotecnologias, ligado ao Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, dentro de inquérito civil aberto pela 1ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas. A apuração busca verificar possíveis impactos ambientais da expansão da silvicultura em Mato Grosso do Sul e aponta a necessidade de integrar o planejamento territorial à conservação dos remanescentes florestais.

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