Alimento é prioridade e governo anuncia R$ 97,7 bilhões para agricultura familiar

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Investimentos e linhas de apoio

O Palco Safra destinado à agricultura familiar foi apresentado em Brasília na terça-feira (30) com anúncios de apoio financeiro ao setor, incluindo a divulgação de R$ 97,7 bilhões em créditos para produtores e, conforme divulgado no evento, um montante de R$ 97,3 bilhões em investimentos que englobam programas de crédito, seguro agrícola, compras públicas, assistência técnica e extensão rural.

Ao destacar a necessidade de fortalecer a produção nacional, o presidente recordou uma conversa com o então presidente venezuelano Hugo Chávez e ressaltou a fragilidade daquela produção de alimentos, contextualizando a prioridade do governo à produção interna. “Você sabia que a melhor arma que um país tem que ter é alimento? Você sabia que nós temos que ter soberania alimentar?”

O chefe do Executivo incentivou o uso dos recursos disponíveis por agricultores familiares, defendendo que o crédito movimenta a economia local e beneficia as famílias. “Se tiver um dinheirinho, vai utilizar em benefício da família”

Em relação às políticas de financiamento, ele afirmou que o governo tem negociado com bancos públicos a redução da taxa de juros para linhas destinadas aos produtores, com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito e estimular a circulação do dinheiro nas comunidades rurais.

Sobre a posse de terras pela União, o presidente ponderou que existe excesso de áreas sob domínio federal, incluindo porções ligadas às Forças Armadas, e defendeu a ideia de paz como prioridade nas decisões sobre uso da terra. “Não tem porque. Nem os nossos militares necessitam de tanta terra mais. Nós não vamos ter guerra. Nós somos da paz”

Declarações do setor e solidariedade à Venezuela

Vânia Marques, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Agricultura, avaliou como relevante o reconhecimento do governo ao papel dos agricultores e ao acesso a políticas públicas que aumentam a autonomia, especialmente das mulheres rurais. “Isso é oportunidade para quem acorda de manhã, faça sol, faça chuva, para poder trabalhar, produzir e fazer com que o alimento chegue às nossas mesas”

Ela chamou atenção para a interseção entre desigualdade social e mudanças climáticas, e apontou a produção familiar como parte da resposta ambiental e alimentar, destacando práticas de proteção e recuperação de recursos naturais. “Nós podemos ser a solução da crise climática porque nós protegemos as nascentes, recuperamos os solos, preservamos as sementes. E somos nós que produzimos com responsabilidade”

No encerramento do evento, o presidente manifestou solidariedade à Venezuela após os terremotos que provocaram 1.943 mortes confirmadas, 10.571 feridos e 15.866 desabrigados, além de 6.461 pessoas resgatadas dos escombros e um número de prédios afetados que pode ultrapassar 58 mil, conforme informações apresentadas no encontro. Ele anunciou que o Brasil fará o possível para auxiliar o povo venezuelano e pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.

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