Petroleiro é atingido no Estreito de Ormuz em meio a ataques entre Irã e EUA

news 189033 1782579341

Um navio-tanque recebeu um impacto de projétil no Estreito de Ormuz neste sábado, com danos na ponte de comando e toda a tripulação em segurança, informou a agência de segurança marítima britânica UKMTO.

O incidente aconteceu após uma troca de ataques entre Estados Unidos e Irã, considerada a pior escalada desde que as partes assinaram um acordo preliminar de paz duas semanas atrás, e levou o Centro Conjunto de Informações Marítimas, responsável por uma coalizão de marinhas que protegem a navegação, a aumentar o nível de ameaça na região.

O ataque a este petroleiro seguiu-se a uma ação contra um navio de carga ocorrida na quinta-feira, que contribuiu para a mais recente elevação das tensões no corredor marítimo que transporta grande parte da energia mundial.

Autoridades norte-americanas declararam que atingiram alvos iranianos durante a madrugada, enquanto o Irã afirmou ter atacado alvos ligados às forças estadunidenses em resposta, conforme relatos oficiais divulgados pelas partes envolvidas.

A televisão estatal iraniana noticiou que a Guarda Revolucionária efetuou “tiros de advertência” contra embarcações não especificadas que tentavam transitar por canais não aprovados pelo Irã e que, em consequência, outros navios passaram a solicitar autorizações iranianas antes de tentar atravessar o Estreito.

O comunicado da televisão estatal descreveu a ação e destacou a mudança no comportamento de outras embarcações na área.

Reações e acusações entre as partes

O Irã acusou os Estados Unidos de não cumprir o acordo provisório, em especial por não manter o cessar-fogo prometido no Líbano depois da invasão de tropas israelenses ocorrida em março em busca do grupo Hezbollah, que tem apoio do Irã.

Mohsen Rezaei, assessor do líder supremo do Irã, afirmou que Washington violou o memorando de entendimento ao apoiar o que chamou de “forças proxy” na região e por criar tensões no Estreito de Ormuz.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, principal negociador do presidente Donald Trump no conflito, reafirmou a posição americana de que os Estados Unidos honraram o cessar-fogo e responsabilizou o Irã por qualquer retomada das hostilidades.

“O Irã assinou um acordo de cessar-fogo. Nós o honramos. Se eles tiverem divergências sobre como o memorando de entendimento está sendo aplicado, podem ligar para nós. Mas a violência será respondida com violência”

Nesta escalada também houve relatos de um ataque com drones iranianos contra instalações no Barein, país que abriga o quartel-general regional da Marinha dos EUA, e as Forças Armadas norte-americanas não responderam imediatamente às informações sobre as ações na região.

Contexto regional e efeitos

O episódio ocorre num momento em que houve tentativas recentes de reabrir a rota pelo Estreito nas últimas duas semanas, após meses de interrupção, mas o controle sobre essa passagem tem sido fonte contínua de confronto entre Teerã e potências ocidentais.

O quadro no Líbano permanece tenso e influenciou as acusações de violação do acordo provisório, já que Israel e Líbano fecharam repetidamente acordos de cessar-fogo mediados pelos Estados Unidos, com impacto prático limitado até agora, segundo relatos regionais.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou o entendimento assinado entre Israel e o Líbano, classificando-o como “nulo e sem efeito” e mantendo a resistência da organização em entregar armamentos e aceitar retirada total das tropas que ocupam faixas contestadas.

No plano econômico, a escalada ocorreu no fim de semana, período em que mercados financeiros permanecem fechados e as partes costumam adotar posições rígidas antes da reabertura. Antes da nova onda de violência, os preços do petróleo caíram cerca de 3% na sexta-feira, caminhando para uma queda acentuada na semana.

As autoridades marítimas e os operadores de navegação seguem em alerta na região, enquanto investigações e averiguações sobre os ataques a embarcações continuam em curso, conforme as fontes oficiais consultadas.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também