Missão humanitária brasileira segue para a Venezuela e chega a Maracay esta noite

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Missão humanitária brasileira enviada à Venezuela tem previsão de chegada a Maracay na noite desta sexta-feira, com 44 pessoas em solo venezuelano e 12 toneladas de carga, segundo o major Anderson Dias, comandante da aeronave KC-390 que transporta a equipe e o material.

Após a decolagem de São Paulo no início da tarde e uma parada planejada em Boa Vista, Roraima, para reabastecimento, o pouso e o desembarque serão na cidade venezuelana de Maracay, conforme informou o major antes da partida.

Antes da decolagem, o major Anderson Dias explicou o papel do modal aéreo em operações de crise. “O aéreo é um modal que se sobrepõe a esse tipo de dificuldade. Então, quando a gente tem problemas de fluxo logístico, o modal aéreo é uma solução”, explicou o major à imprensa, pouco antes da decolagem, na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos.

A missão tem como objetivo apoiar a Venezuela, atingida por ao menos dois fortes terremotos na noite de quarta-feira (24), incidente que deixou o número de desaparecidos passando de 40 mil e motivou o envio do suporte brasileiro.

O major destacou a experiência da aeronave e sua equipe em cenários críticos e citou operações anteriores em que o KC-390 participou. “Já participamos da missão de resgate de brasileiros em área de conflito, como na guerra da Ucrânia. Assim que nós tivemos a demanda, fomos lá buscar os brasileiros e repatriá‑los”, relatou.

Além das operações de resgate, o comandante lembrou outras frentes em que a aeronave foi empregada, ressaltando sua versatilidade logística e sanitária. “Tivemos missões de combate a incêndio em voo. Foi uma ação muito intensa que realizamos para superar as queimadas. A covid foi um cenário muito importante para a gente, porque essa aeronave foi um ponto de inflexão para o transporte de oxigênio no modal aéreo, e essa aeronave foi certificada para fazer esse transporte”, acrescentou.

Do total da força enviada, 14 profissionais são do estado de São Paulo, informou a capitã Karoline, do Corpo de Bombeiros de São Paulo, que atuou na organização da missão. A equipe paulista é composta por 11 bombeiros, dois médicos que integram o Comando de Aviação da Polícia Militar e um integrante da Defesa Civil, além de dois cães de busca e salvamento.

A capitã Karoline contextualizou a prontidão e a experiência do grupo para o tipo de cenário que encontrarão na Venezuela. “É uma equipe que já tem experiências em outros cenários como esse que eles vão encontrar lá, como na Turquia, por exemplo, e o mais recente foi no Rio Grande do Sul. É uma equipe que está indo para dar essa primeira resposta, porque quanto mais rápido chegar, maior é a probabilidade de a gente achar pessoas com vida”, disse a capitã, que trabalhou na organização da missão.

Sobre a autonomia logística do contingente, a capitã explicou que o Brasil segue em condição de autossuficiência para não onerar as autoridades locais. “O Brasil está indo autossuficiente, o que significa que ele não precisa ser mais um problema para o país, a gente está indo com todo o material para permanecer lá os 15 dias, a princípio, de forma totalmente autônoma. Ou seja, a gente vai de fato para ajudar esse país”, acrescentou a capitã Karoline.

A operação segue com monitoramento e coordenação por autoridades militares e de defesa civil, com chegada prevista para a noite de sexta-feira e desembarque programado em Maracay, conforme a escala técnica em Boa Vista realizada para abastecimento.

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