Brigada Alto Pantanal reduz risco de incêndios no Pantanal com 33,28 km de aceiros
Brigada Alto Pantanal intensificou ações preventivas na Serra do Amolar e protegeu escolas rurais enquanto abriu e manteve 33,28 km de aceiros
A Brigada Alto Pantanal do Instituto Homem Pantaneiro realizou entre janeiro e junho de 2026 ações que reduziram o risco de queimadas na região do corredor de biodiversidade da Serra do Amolar. No período foram registradas zero operações de combate a incêndios ativos na área e a equipe executou 15 operações para abertura e manutenção de aceiros totalizando 33,28 km em trechos remotos que ficam a mais de seis horas de barco rio Paraguai acima de Corumbá.
Além dos aceiros, os brigadistas fizeram limpeza e manejo de vegetação no entorno de escolas rurais e áreas prioritárias em reservas particulares e propriedades que integram a Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar. Na região do Paraguai Mirim, onde vivem mais de 30 famílias, a intervenção de maio incluiu a redução de vegetação próxima à escola local. Na Escola Municipal de Educação Integral Polo São Lourenço a brigada atuou em junho junto com a brigada comunitária e o Prevfogo do Ibama. Em março foi realizado conserto emergencial do forro do prédio e em maio houve apoio à implantação de horta e sistema de irrigação. As duas unidades escolares atendem comunidades entre Barra do São Lourenço e Aterro do Binega e o conjunto das ações protege cerca de 197 pantaneiros, entre eles 65 crianças e adolescentes.
Infraestrutura articulação institucional e alertas climáticos
O presidente do IHP, Ângelo Rabelo, ressaltou a importância do apoio local e de parceiros para manter a operação. “O trabalho da brigada do IHP é fundamental. Não se trata de uma brigada que vai atuar combatendo o fogo apenas, essa é uma brigada ambiental. Nessas regiões de atuação, são quase 200 pessoas que vivem em comunidades, com mais de 60 crianças que dependem dessas escolas rurais. Esse trabalho só é possível quando há o apoio das comunidades e de parceiros, como o Prevfogo e parceiros estratégicos”.
O monitoramento ambiental do IHP na Serra do Amolar já identificou ao menos 200 espécies da fauna e apontou 10 espécies com algum grau de ameaça segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática e da IUCN. Em parceria com Prevfogo do Ibama e brigadas comunitárias a brigada realizou treinamento de manejo integrado do fogo em áreas afetadas por incêndios em 2020 e 2024. O chefe da Brigada Alto Pantanal, Manoel Garcia, explicou o objetivo prático das intervenções. “Trabalhamos para buscar um resultado prático para a conservação e apoio a famílias do Pantanal. Quando limpamos uma trilha ou fazemos o manejo do fogo no momento correto, estamos salvando o bioma antes mesmo que a primeira faísca ameace subir”.
As operações exigem logística complexa com uso combinado de barcos, tratores e longos deslocamentos a pé e contam com apoio institucional da Marinha do Brasil, do Prevfogo do Ibama e de brigadas comunitárias. Entre os parceiros que viabilizam as atividades estão programas de investimento social e fundos internacionais, além do governo do Estado de Mato Grosso do Sul. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais publicou nota técnica apontando mais de 80 por cento de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño entre agosto setembro outubro de 2026 com intensidade entre moderada e forte, condição que tende a aumentar ondas de calor e reduzir a umidade na área central do país e elevar o risco de incêndios no Pantanal. Comunidades remotas ficam mais próximas das chamas e sofrem impactos para a saúde pela fumaça, enquanto a manutenção de aceiros e rotas de fuga favorece também a movimentação da fauna.

