Brasil e Quênia defendem parcerias com China em meio a críticas do G7

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O presidente brasileiro e o do Quênia rebateram críticas feitas por integrantes do G7 às parcerias que países não desenvolvidos mantêm com a China, durante encontro em território francês. A posição de ambos ocorreu em reunião com os chefes de Estado do grupo considerado das maiores economias do mundo.

Defesa das parcerias

Na conversa com os líderes do G7, a delegação brasileira colocou que as relações com Pequim representam oportunidade para países em desenvolvimento, por oferecerem condições percebidas como vantajosas do ponto de vista econômico.

“Aquilo que eles veem como uma ameaça, que é a economia chinesa, os países não desenvolvidos veem como uma oportunidade.”

O presidente também expôs que, atualmente, os chineses são os que mais investem na África e na América Latina, enquanto governos europeus e norte-americanos aparecem com menor intensidade para competir com Pequim.

O presidente do Quênia apresentou argumento similar ao de líderes latino-americanos ao afirmar que a relação com a China é uma escolha prática do seu país e traz benefícios concretos em especial na execução de obras de infraestrutura, energia e indústrias ao longo das últimas duas décadas.

“a China era o parceiro que o país tinha, sendo melhor ter Pequim como parceiro do que não ter.”

Preocupações do G7 e resposta chinesa

Um dos documentos liberados pelos países do G7 destacou preocupações sobre desequilíbrios macroeconômicos globais atribuídos, em parte, ao comportamento da economia chinesa. O texto projeta um superávit de US$ 1,2 trilhão para a China em 2025 e descreve o consumo no país como cronically baixo, apontando impactos na balança comercial de Estados Unidos e Europa.

“O aumento dos déficits e superávits excessivos em conta corrente reflete uma dinâmica de crescimento cada vez mais desequilibrada na China, na União Europeia (UE) e nos Estados Unidos (EUA)”

O documento do G7 ainda expressa apreensão sobre concentrações setoriais, citando materiais estratégicos e segmentos industriais em que a China tem liderança mundial.

“A China responde por quase toda a valorização efetiva real do euro desde 2021”

O texto recomenda maior ajustamento cambial por parte de Pequim.

“uma maior flexibilidade na taxa de câmbio do RMB ainda seria desejável”

Em resposta às críticas relativas a terras raras e outros minerais estratégicos, o porta-voz do ministério das relações exteriores da China afirmou que as práticas do país cumprem normas internacionais e pediu que o G7 observe princípios de mercado e regras do comércio global, em vez de criar normas próprias.

“Exortamos o G7 a observar com seriedade os princípios da economia de mercado e as regras do comércio internacional, e a parar de perturbar a ordem comercial internacional com regras criadas por um pequeno grupo”

Posicionamento oficial brasileiro no encontro

Do total de nove documentos firmados no encontro, o Brasil subscreveu três textos que tratam de combate ao câncer, proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais e medidas contra o narcotráfico, neste último sem vincular o tráfico de drogas ao terrorismo.

O Palácio do Planalto justificou a não assinatura dos demais documentos pela existência, segundo a avaliação do governo, de uma visão de mundo alinhada ao G7 que difere daquela de uma nação não desenvolvida.

Além do Brasil e do Quênia, participaram como convidados Índia, Coreia do Sul e Egito, enquanto o G7 é composto pela França, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Japão, Itália e Canadá.

Nas duas últimas décadas, o avanço econômico da China tem sido aproveitado por países africanos para financiar e realizar projetos de transporte, energia e indústria, e na América Latina o país se consolidou como principal parceiro comercial de grande parte da região, cenário que tem sido observado também na estratégia dos Estados Unidos para reafirmar sua proeminência na área.

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