Lula pede respeito e diz que Trump não deve se meter nas eleições no Brasil
Em entrevista coletiva após o encerramento da Cúpula do G7, em Évian, na França, o presidente Lula afirmou que não aceita interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro e cobrou respeito entre nações.
Lula, ao responder a declarações do ex-presidente americano, afirmou sua tolerância por preferências políticas individuais.
“Por mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro – do pai, do filho, do neto. Não tenho nenhum problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições no Brasil.”
O presidente acrescentou que as disputas eleitorais são assuntos internos e que sua expectativa é de reciprocidade no tratamento entre países.
Lula, repetindo o princípio de que cada país decide seus próprios processos eleitorais, fez nova ressalva.
“As eleições no Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são problema deles e não são um problema meu. A única coisa que eu quero é respeito pelo Brasil, assim como eu tenho pelos Estados Unidos”
Em seguida, o presidente voltou a citar limites entre preferências pessoais e a conduta entre países, ressaltando a importância da soberania.
“Ele tem o direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso”
Contexto das declarações
Mais cedo, também em entrevista coletiva no mesmo evento, o ex-presidente Donald Trump qualificou o Brasil como um país com risco político e mencionou a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
Trump, ao comentar o caso que envolve o filho de Jair Bolsonaro, afirmou de forma direta.
“Prenderam ele ou querem prendê-lo. Estão tramando algo para a sua prisão. Eles jogam bem pesado. Mas ninguém joga mais pesado que os Estados Unidos”
Decisão judicial sobre Eduardo Bolsonaro
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo, conforme registros do julgamento.
Ele foi considerado culpado de atuar em Washington a favor do tarifário dos Estados Unidos contra exportações brasileiras, com a finalidade de intimidar a Suprema Corte e tentar evitar a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
As declarações proferidas em Évian fecharam o posicionamento público do presidente sobre o tema no evento internacional, sem desdobramentos oficiais adicionais divulgados no local.

