Acordo EUA-Irã é fechado e deve abrir caminho para nova fase de negociações
Autoridades norte-americanas e iranianas declararam ter alcançado um acordo para interromper o conflito iniciado em fevereiro, com previsão de prorrogar por 60 dias o frágil cessar-fogo anunciado em abril e reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado desde o início dos ataques contra o Irã.
O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu nesta terça-feira o acordo como “fechado” e afirmou que a negociação avança para uma segunda fase, sem, porém, detalhar o conteúdo do memorando nem o calendário imediato de ações.
Próxima fase das negociações
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, publicou nas redes sociais que o acordo provisório representava um “passo importante” para interromper os combates, mas advertiu que o acordo final para uma trégua duradoura “ainda não tomou forma” e, portanto, depende de nova rodada de conversas.
Conforme divulgado por autoridades iranianas, o ministro das Relações Exteriores Abbas Araqchi informou que os negociadores tratarão de questões mais complexas, entre elas o futuro do programa nuclear do Irã, a partir da próxima etapa das negociações, com início na Suíça na sexta-feira, após a assinatura formal do acordo-quadro.
A cerimônia de assinatura formal terá a presença do vice-presidente norte-americano JD Vance e do principal negociador iraniano Mohammad Baqer Qalibaf, segundo informações oficiais sobre a agenda prevista em Genebra.
Efeitos sobre mercados e segurança marítima
O vice-presidente norte-americano JD Vance qualificou o memorando assinado como um “documento muito geral”, e autoridades dos EUA disseram que os detalhes seriam divulgados nos próximos dois dias, o que mantém dúvidas sobre o alcance imediato do pacto.
Empresas de transporte marítimo alertam que, mesmo com a reabertura anunciada do Estreito de Ormuz, a restauração da confiança nas rotas deve levar semanas, e operadores esperam uma transição gradual antes do retorno pleno das operações.
Os preços do petróleo caíram a novas mínimas de três meses nesta terça-feira, depois de recuarem quase 5% um dia após a notícia do acordo, embora profissionais do setor ressaltem que a produção de petróleo e gás do Oriente Médio pode demandar meses para recuperar totalmente os níveis anteriores às hostilidades.
O conflito deixou um rastro de destruição e pressões políticas, com pelo menos 7 mil mortos, em sua maioria no Irã e no Líbano, e gerou repercussões internas para os líderes dos dois países, incluindo críticas ao presidente norte-americano dentro de seu próprio partido e o risco de novos protestos no Irã caso as tensões econômicas não sejam aliviadas.
Mais duas prioridades que motivaram a guerra, reduzir o apoio do Irã a grupos armados regionais e conter seu programa de mísseis, não devem constar na pauta desta próxima etapa de negociações, conforme avaliação de negociadores citada pelas fontes oficiais.
Os dois lados ainda enfrentam pressões significativas para transformar o acordo provisório em compromissos duradouros e operacionais, diante de mercados sensíveis e atores regionais desconfiados.
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