PUBLICIDADE
BR-262 está entre áreas críticas de atropelamentos e novo plano prevê passagens para fauna silvestre

animais atropelados

O avanço do projeto que cria o Plano Nacional de Segurança Viária para Fauna Silvestre colocou novamente em evidência um problema recorrente nas rodovias de Mato Grosso do Sul. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados e estabelece medidas para reduzir a morte de animais silvestres em estradas e ferrovias, além de criar um cadastro nacional para registrar ocorrências em todo o país.

A iniciativa chega em meio a números considerados alarmantes por pesquisadores e entidades ambientais. Levantamentos do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas indicam que cerca de 475 milhões de animais silvestres morrem atropelados anualmente no Brasil, o equivalente a aproximadamente 15 animais por segundo.

Entre as espécies mais atingidas estão tamanduás-bandeira, antas e lobos-guará, animais que possuem baixa taxa de reprodução e dependem de extensas áreas naturais para sobreviver. Segundo dados citados pelo Grupo de Resgate de Animais em Desastres, quase 9 milhões de mamíferos de médio e grande porte são vítimas desse tipo de ocorrência todos os anos.

Licitação para BR-262
Trecho observa uma das maiores taxas de atropelamento de animais do país

No Mato Grosso do Sul, o cenário preocupa por atingir diretamente áreas de elevada biodiversidade. Rodovias que cortam o Pantanal e regiões de Cerrado registram frequência elevada de atropelamentos envolvendo capivaras, tamanduás, jaguatiricas e onças-pardas.

A BR-262, principal corredor de acesso ao Pantanal sul-mato-grossense, concentra parte significativa desses registros. Estudos já apontaram milhares de animais mortos em trechos da rodovia entre Campo Grande e Corumbá ao longo dos últimos anos.

Impacto vai além da morte dos animais

Pesquisas coordenadas pela bióloga Fernanda Abra apontam que os efeitos das estradas não se limitam aos atropelamentos. As vias também fragmentam habitats naturais, dificultam o deslocamento da fauna e provocam isolamento de populações, reduzindo a diversidade genética das espécies ao longo do tempo.

Especialistas apontam que fatores como excesso de velocidade, ausência de estruturas de travessia e falta de sinalização específica contribuem para o aumento das colisões.

Pelo texto aprovado na Câmara, concessionárias e responsáveis por rodovias e ferrovias deverão adotar medidas em áreas consideradas críticas. Entre as ações previstas estão a instalação de passagens subterrâneas e aéreas para animais, cercas direcionadoras, pontes adaptadas, monitoramento permanente e mecanismos para redução da velocidade dos veículos.

passagem br 262

O projeto também prevê campanhas educativas voltadas aos motoristas e sistemas de acompanhamento das regiões com maior incidência de atropelamentos.

Para a CEO do Instituto Líbio, Raquel Machado, a situação exige respostas estruturais e não apenas ações emergenciais de resgate.

“É um sofrimento evitável, que escancara a falta de planejamento ambiental nas nossas rodovias”, afirma.

Segundo ela, os impactos atingem toda a cadeia ecológica.

“Quando um animal é atropelado, não estamos perdendo apenas um indivíduo, mas comprometendo toda uma cadeia ecológica. Precisamos tratar esse tema como prioridade nacional.”

Raquel também defende investimentos preventivos para reduzir os registros.

“Precisamos investir em prevenção — como passagens de fauna, cercamentos, sinalização eficiente e educação dos motoristas. Sem isso, continuaremos enxugando gelo.”

Além das estruturas físicas, entidades ambientais defendem o uso de tecnologias de monitoramento, sensores, inteligência artificial e sistemas de alerta para motoristas. Também são apontadas como medidas importantes o fortalecimento da legislação ambiental, a ampliação de unidades de conservação e campanhas permanentes de conscientização.

atropelamento

O projeto segue agora para análise do Senado. Caso seja aprovado sem alterações, o país passará a contar com uma política nacional específica para enfrentar uma das principais causas de perda contínua da biodiversidade brasileira.

PUBLICIDADE
andorinha

Veja também