Banco de perfis genéticos de MS ganha 486 novas amostras
Polícia Científica de Mato Grosso do Sul ampliou em 486 perfis o banco estadual de DNA após duas etapas de coleta realizadas no Complexo Penitenciário da Gameleira em Campo Grande. A primeira ação ocorreu em 30 de abril na Gameleira II com 300 amostras e a segunda foi realizada na sexta-feira 29 na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira I com 186 coletas.
O trabalho foi executado pelo Instituto de Análises Laboratoriais Forenses, IALF, da Polícia Científica com apoio da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul e integra metas do Contrato de Gestão 2026 firmado entre a Sejusp e o Governo do Estado voltadas ao fortalecimento do Banco de Perfis Genéticos. Após a coleta as amostras passam por processamento laboratorial e quando atendem aos critérios técnicos e legais são inseridas nos bancos estadual e nacional de perfis genéticos para comparação com vestígios encontrados em cenas de crime.

Dados da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos apontavam 5.471 perfis cadastrados até 1º de maio de 2026, sendo 4.081 pertencentes a condenados e 918 vestígios biológicos coletados em investigações criminais. O Estado acumulava 88 investigações auxiliadas pela rede e 59 coincidências genéticas confirmadas, das quais 46 ocorreram entre vestígios biológicos e 13 entre vestígios e indivíduos cadastrados.
Josemirtes Prado da Silva, diretora do IALF, destacou o impacto da ampliação na capacidade de confronto entre perfis. “Quanto mais amostras de condenados forem inseridas, maior é a chance de coincidência com vestígios já cadastrados. O banco é mais uma ferramenta para auxiliar na identificação de autoria ou de autores em dois locais de crimes distintos”.
A diretora também citou um caso recente em que material genético coletado em mutirão anterior foi correspondido a vestígios que permaneciam cadastrados sem autoria. “Um vestígio sem autoria hoje pode se transformar em prova amanhã”.
A Polícia Penal é responsável pela triagem das pessoas privadas de liberdade que se enquadram nas hipóteses legais de coleta e por garantir a segurança durante as ações nas unidades prisionais. A ampliação das coletas acompanha mudanças na legislação federal com a entrada em vigor da Lei nº 15.295 de 2025 que passou a prever a identificação do perfil genético de condenados à pena de reclusão em regime inicial fechado independentemente do tipo de crime antes a obrigatoriedade estava restrita a hipóteses específicas como crimes contra a vida e contra a liberdade sexual e delitos praticados com violência grave.
A previsão é que novos mutirões sejam realizados em estabelecimentos penais do interior do Estado, ampliando a base genética sul-mato-grossense e fortalecendo uma ferramenta considerada estratégica para o esclarecimento de crimes e a produção de provas de interesse da Justiça.
