Líder do Irã convoca países islâmicos a unir-se contra presença militar dos EUA e contra Israel

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O apontamento mais recente do Líder do Irã foi um apelo à unidade das nações muçulmanas para construir uma nova ordem na região sem presença militar dos Estados Unidos e sem Israel, em mensagem publicada nesta terça-feira durante a peregrinação à Meca.

Conforme divulgado em carta dirigida aos milhões que participam do Hajj, Mojtaba Khamenei ressaltou a necessidade de cooperação entre países islâmicos antes de apresentar seu convite em termos amplos. “A Ummah Islâmica [comunidade global do Islã] e as nações da região possuem muitas capacidades compartilhadas e interesses comuns que moldarão a nova ordem e a futura arquitetura da região e do mundo. Eu, com sinceridade e pureza de intenção, convido todos os países e governos islâmicos à amizade e à cooperação em prol do bem, para que, trabalhando juntos, possamos dar passos rumo ao avanço da Ummah Islâmica”

O líder também mobilizou peregrinos iranianos a transmitirem mensagens para além do país, pedindo a divulgação de uma avaliação específica do conflito. “vitória” foi a expressão que ele solicitou que os iranianos levem aos muçulmanos de outras nações, segundo o conteúdo distribuído durante o Hajj.

Ao reforçar a convicção de que o cenário regional está mudando, Mojtaba Khamenei acrescentou uma afirmação sobre a trajetória dos Estados Unidos na região. “os Estados Unidos não só não terão mais um refúgio seguro para suas artimanhas e para o estabelecimento de bases militares na região, como, dia após dia, estão se distanciando cada vez mais de seu antigo status”

Sobre Israel

Na mesma carta, o novo líder supremo referiu-se ao Estado israelense em tom de condenação e previu um desfecho que retoma discurso antigo da família Khamenei. “o regime sionista [Israel] abalado e o tumor cancerígeno de Israel estão igualmente se aproximando dos estágios finais de sua existência miserável” Ele evocou ainda a profecia atribuída ao pai dele, feita há dez anos, de que Israel não viverá dentro de 25 anos, lembrando o posicionamento histórico do Irã sobre a questão palestina.

O Irã mantém posição contrária ao modelo de dois Estados defendido por parte da comunidade internacional e propõe um Estado único com retorno da diáspora palestina, hipótese que contrasta com a rejeição israelense a qualquer Estado palestino independente.

Eixo da Resistência e contexto interno

Além de exaltar a Revolução Islâmica de 1979, Mojtaba Khamenei destacou a persistência iraniana frente a sanções de décadas e pressões externas, e indicou a importância das forças alinhadas contra a hegemonia de Israel e dos EUA. “contra os agressores sionistas usurpadores, esmagar a agenda do Daesh [ISIS], desencadear a Inundação de Al-Aqsa e deixar o regime sionista cambaleante dar seu último suspiro” fez parte do trecho divulgado que descreve o papel do chamado Eixo da Resistência, que agrupa atores presentes no Líbano, Palestina, Iraque, Síria, Iémen, Afeganistão e Paquistão.

O texto também contextualiza os impactos de um embargo econômico prolongado sobre a sociedade iraniana e cita 47 anos de pressão como fator que moldou a retórica atual do país, referindo-se a desafios políticos, propagandísticos e econômicos enfrentados pelo Irã.

Sobre a posição institucional do cargo que agora ocupa, o líder supremo foi eleito pela Assembleia dos Especialistas, formada por 88 clérigos escolhidos por voto popular, e assumiu após a morte do pai, Ali Khamenei, que esteve no posto por 36 anos. A Constituição iraniana prevê que, apesar de ser um mandato vitalício, o Líder Supremo pode ser destituído pela mesma assembleia que o elegeu.

O texto oficial recorda ainda as prerrogativas do cargo, com ligação direta às Forças Armadas e influência sobre órgãos como o Conselho dos Guardiões, composto por 12 membros, seis nomeados pelo Líder Supremo e seis indicados pelo Parlamento, responsável por verificar a conformidade das leis com parâmetros morais e religiosos da República Islâmica.

O conjunto da carta foi divulgado no segundo dia do Hajj e dirigido aos milhões que participam da peregrinação, evento que costuma reunir mais de 1,5 milhão de pessoas na cidade sagrada da Meca e que serve de palco para pronunciamentos com alcance regional.

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