Trump visita Xi Jinping na China em meio ao atoleiro da guerra no Irã

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A chegada de Donald Trump a Pequim na noite desta quarta-feira (13), no horário de Brasília, concentra atenções globais por ocorrer em meio à guerra no Irã, que tem repercussões diretas nas relações internacionais e na economia mundial.

O encontro entre os presidentes havia sido adiado no fim de março por causa do conflito no Oriente Médio e agora ocorre em um cenário em que a administração americana procura conter a influência econômica e tecnológica da China, alvo prioritário de uma guerra tarifária lançada por Trump em abril de 2025.

O analista geopolítico Marco Fernandes avaliou as consequências da escalada militar sobre as expectativas americanas. “Ele achou que chegaria a Pequim com todas as cartas na mão para pressionar Xi, mas faltou combinar com os iranianos. Agora, Trump está chegando derrotado. Nunca um presidente dos EUA chegou em uma reunião com um presidente da China tão enfraquecido e desmoralizado como Trump agora”

Tarifas, terras raras e medidas de retaliação

A ofensiva tarifária de Washington incluiu restrições que visavam frear a expansão chinesa, mas a reação de Pequim, como limitações à exportação de terras raras, forçou recuos em medidas punitivas mais duras por parte dos EUA.

O professor de Relações Internacionais José Luiz Niemeyer destacou a importância estratégica desses minerais para setores militares e tecnológicos. “Os EUA precisam muito de dois minerais de terras raras, que é o samário e o neodímio, fundamentais para indústria bélica, para construção de ímãs usados em mísseis. E os EUA não dispõem desses materiais, a China sim”

Na última semana, a China começou a aplicar a lei anti-sanções aprovada em 2021, que impede empresas no país de reconhecerem medidas punitivas dos EUA, e a medida é vista por analistas como um mecanismo de retaliação quando Washington aumentar sanções ou restrições.

Marco Fernandes comentou o novo tom sino-americano. “Isso é uma novidade na postura da China de ser assertiva em relação aos EUA. Cada vez que os EUA subirem o tom, apostando em sanções e outras medidas anti-chinesas, eles vão dar o troco. Isso é importante porque é um capítulo novo na relação sino-americana”

Taiwan e triangulação entre potências

Trump informou a jornalistas no início da semana que pretende tratar com Xi Jinping sobre a venda de armas dos EUA para Taiwan, tema sensível para Pequim que reafirma a política de uma só China.

Ao responder a questionamentos, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, deixou clara a posição de Pequim. “A firme oposição da China à venda de armas americanas para a região de Taiwan, território chinês, é consistente e clara”

O cenário regional também tem sido palco de articulações diplomáticas entre China, Rússia e Irã, com visitas recentes de autoridades iranianas a Pequim e Moscou. “Há, claramente, uma triangulação sendo feita, nesse momento, entre Pequim, Moscou e Teerã. Não foi à toa que Araghchi [ministro das Relações Exteriores do Irã] esteve em Pequim na semana passada, e já esteve em Moscou. Rússia e China estão intermediando, pelo Irã, para que haja uma solução pacífica e a guerra termine. Isso seria o principal ponto do encontro para Xi Jinping”

O professor Niemeyer avaliou a dinâmica das negociações entre as potências e o alcance do encontro. “Eles vão ficar discutindo o que cada um poderia fazer nos espaços considerados vitais de cada um. Vão discutir o limite até onde o outro pode ir. Essa vai ser a discussão principal. E os EUA definiram a América Latina como área de defesa de Washington”

Ele acrescentou uma leitura sobre o equilíbrio de forças visível na iniciativa do encontro. “Tenho a impressão que essa visita mostra uma necessidade de aproximação dos EUA com a China. Me parece que o encontro tende a dar mais frutos para a agenda chinesa do que para a norte-americana”

Para o Brasil, a disputa sino-americana por controle de cadeias de suprimentos e minerais críticos pode representar uma oportunidade. Especialistas apontam que o país abriga cerca de 22% das reservas mundiais de minerais críticos, atrás apenas da China, e que crises de fornecimento entre as superpotências abrem espaço para ganhos comerciais e políticos.

José Luiz Niemeyer sugeriu uma estratégia pragmática para Brasília. “Cada vez que há mais crise do ponto de vista de fornecimento de produtos entre os EUA e China, o Brasil pode aproveitar para exportar os produtos que estão em litígio entre os dois países, como por exemplo, minerais de terras raras”

Marco Fernandes concluiu destacando a necessidade de posicionamento nacional diante da disputa. “O Brasil vai precisar saber se colocar no meio dessa disputa de uma maneira soberana e que acumule para nossos interesses”

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