Estreito de Ormuz registra disputa de narrativas e provoca alta do petróleo
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã negou nesta segunda-feira (4) a informação divulgada pelos Estados Unidos de que embarcações comerciais de bandeira americana tenham transposto o Estreito de Ormuz com escolta de navios de guerra e, em comunicado, informou “Nenhum navio comercial ou petroleiro passou pelo Estreito de Ormuz nas últimas horas, e as alegações das autoridades americanas são infundadas e completamente falsas”.
Duas horas antes o Comando Central dos EUA, responsável pela região do Oriente Médio, havia divulgado que navios de guerra teriam escoltado dois navios mercantes norte-americanos como parte de um plano anunciado no domingo (3) pelo então presidente Donald Trump para restabelecer o comércio na área e divulgou “Como primeiro passo, dois navios mercantes de bandeira americana atravessaram com sucesso o Estreito de Ormuz e estão a caminho de sua jornada em segurança”.
De acordo com informações oficiais dos Estados Unidos a operação planejada envolve navios de guerra de mísseis guiados, mais de 100 aeronaves terrestres e marítimas e cerca de 15 mil militares, como parte do esforço para garantir a navegação na rota.
Em paralelo à troca de versões, a Guarda Revolucionária do Irã publicou um mapa com uma nova área de controle marítimo sobre Ormuz e incluiu duas linhas de segurança que, segundo o documento divulgado, funcionariam como “novas fronteiras de controle” do Estreito.
O acirramento das declarações e das ações teve impacto imediato no mercado de petróleo e em meio à disputa de narrativas o barril do Brent registrou alta de 5% nesta segunda-feira e superou os US$ 114, com atenção adicional ao fato de que pelo Estreito chegam a transitar até 20% do petróleo global.
Ao anunciar o plano para restabelecer o comércio na região Donald Trump ameaçou o Irã de resposta caso a passagem de embarcações seja impedida e, em mensagem pública, afirmou “Essa interferência terá, infelizmente, de ser combatida com firmeza”.
As autoridades iranianas têm reiterado que o reestabelecimento da navegação não pode ser decidido por redes sociais e que só será possível por meio de uma negociação que encerre definitivamente a guerra, incluindo a frente no Líbano, conforme posicionamento oficial divulgado por representantes do país.
Um dos principais comandantes das forças iranianas, o major-general Ali Abdollahi, orientou operadores de embarcações comerciais a evitar tentativas de passagem sem coordenação e, em aviso direcionado aos navegantes, aconselhou “a se absterem de qualquer tentativa de passar pelo Estreito de Ormuz sem coordenação com as Forças Armadas [do Irã] estacionadas lá para não colocar em risco sua segurança”.
Há ainda relatos de dois navios comerciais atacados no Estreito de Ormuz em um intervalo de 24 horas, enquanto a Marinha do Irã afirma ter impedido a passagem de embarcações descritas como estadunidense-israelenses e ter atingido um navio de guerra dos EUA no Golfo de Omã, ocorrências que os militares norte-americanos negam terem provocado danos às suas unidades.

