Irã e Hezbollah atribuem ao Eixo da Resistência o cessar‑fogo no Líbano
Autoridades iranianas e o Hezbollah creditam a trégua no Líbano à união do Eixo da Resistência, apontando a capacidade conjunta de combate como fator decisivo na interrupção das hostilidades, enquanto a Casa Branca tenta se apropriar do resultado e Israel adota postura crítica.
Conforme divulgado pela TV Al-Manar, ligada ao Hezbollah, o partido-milícia divulgou um balanço sobre a intensidade das operações no período mais recente. “Nossa missão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo, enfatizando a adesão à opção de confronto e continuar a defender o país, e permanecer no pacto até o último suspiro”
O grupo informou ter realizado 2.184 operações em 45 dias de combates, o que representa uma média de 49 ações diárias. As investidas afetaram forças israelenses dentro do território libanês e também alvos, quartéis e bases militares dentro de Israel e nos territórios palestinos ocupados, em ataques registrados a até 160 quilômetros da fronteira.
O chefe do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, líder da delegação de Teerã nas negociações com os Estados Unidos, vinculou o cessar-fogo à resistência coordenada entre aliados. “A Resistência e o Irã são uma só entidade, seja na guerra ou no cessar‑fogo. Cabe à América recuar do erro de ‘Israel em primeiro lugar’. O cessar‑fogo não foi senão resultado da resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência; e lidaremos com este cessar‑fogo com cautela, e permaneceremos juntos até a verificação completa da vitória”
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, atribuiu o acordo também ao trabalho diplomático de Teerã, citando esforços multilaterais e encontros realizados fora da região. “Desde o início das negociações com várias partes regionais e internacionais, incluindo as negociações em Islamabad, a República Islâmica do Irã tem consistentemente enfatizado a necessidade imperativa de um cessar-fogo simultâneo em toda a região, inclusive no Líbano”
O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vinha anunciando planos para ocupar o sul do Líbano até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira, e o premiê havia dado instruções para manter a ofensiva visando a cidade de Bent Jbel. Segundo o jornal israelense The Times of Israel, ministros receberam com surpresa o anúncio da trégua e houve relato de que Netanyahu concordou com ela a pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, posição que motivou críticas da oposição por tratar-se de um acordo considerado imposto a Israel.
Um veículo israelense, o Ynet, publicou que um oficial militar declarou que as tropas permaneceriam no território libanês apesar do cessar-fogo, indicando que o cessar não implicará retirada imediata de forças em campo.
Histórico e sequência dos acontecimentos
O atual ciclo de violência entre Israel e Hezbollah remonta a uma intensificação iniciada em outubro de 2023, quando o grupo xiita passou a atacar o norte de Israel em solidariedade à população palestina diante dos massacres na Faixa de Gaza. Em novembro de 2024, foi costurado um acordo de cessar-fogo entre o Hezbollah e Tel Aviv que, segundo relatos, não foi plenamente respeitado por Israel, que manteve ataques no Líbano.
Com o início da agressão contra o Irã em 28 de fevereiro deste ano, o Hezbollah retomou ofensivas contra Israel em resposta às violações reiteradas do cessar-fogo e também em retaliação ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. No dia 8 de abril foi anunciado um cessar-fogo relativo à guerra contra o Irã, mas observadores registraram que Israel prosseguiu com ataques no Líbano, desrespeitando novamente acordos intermediados por terceiros, incluindo negociações em Islamabad e iniciativas com participação do Paquistão.
Teerã condicionou a continuidade das conversas com Washington à inclusão do Líbano na trégua, condição que, segundo autoridades iranianas, foi atendida antes da segunda rodada de negociações prevista para os próximos dias. Após o fim das batalhas, o Irã anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz para navios comerciais, medida de relevo para o comércio marítimo regional.

