Papa Leão XIV é crítico e pede mudança diante de mundo devastado por tiranos
Durante a passagem por Camarões nesta quinta-feira, o papa Leão XIV atacou a priorização de gastos em guerras e declarou que o planeta está sendo alvo de governantes violentos após sofrer críticas públicas do presidente dos Estados Unidos.
“sendo devastado por alguns tiranos”
Crítica aos custos da guerra e ao uso da fé
Em encontro realizado na maior cidade das regiões anglófonas do país, o pontífice avaliou o impacto humanitário de conflitos que marcam aquele território e centrou sua fala na desigualdade de prioridades entre destruição e reconstrução.
“Os mestres da guerra fingem não saber que é preciso apenas um momento para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir”
Na mesma sequência, o papa chamou atenção para a destinação de recursos, contrapondo o gasto militar às necessidades civis que permanecem sem atendimento.
“Eles fecham os olhos para o fato de que bilhões de dólares são gastos em mortes e devastação, mas os recursos necessários para cura, educação e restauração não são encontrados em lugar algum.”
Condenação do instrumentalismo religioso e apelo por mudança
Leão XIV também reprovou líderes que invocam a fé para promover objetivos estratégicos e pediu uma reorientação das prioridades globais, invocando responsabilidade moral diante das consequências das guerras.
“Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seu próprio ganho militar, econômico e político, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a sujeira”
Em seguida, classificou a atual situação do mundo como incompatível com uma consciência ética universal.
“É um mundo virado de cabeça para baixo, uma exploração da criação de Deus que deve ser denunciada e rejeitada por toda consciência honesta.”
No mês anterior, em comentário amplamente interpretado como dirigido a representantes que defendem ações militares, o papa afirmou em outra ocasião que Deus rejeitava as orações de líderes com “mãos cheias de sangue”.
Durante a viagem, o pontífice pediu uma “mudança decisiva de rumo” para frear a violência e recompor prioridades humanitárias.
Leão XIV, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, emergiu como crítico declarado do confronto que teve início com ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã e manteve perfil mais reservado em grande parte do seu primeiro ano à frente da Igreja.
Os comentários públicos do papa ocorreram após nova série de ataques do presidente Donald Trump nas redes sociais, que já haviam começado no domingo e se repetiram na terça-feira e na quarta-feira, gerando reação de surpresa no continente africano, onde vive mais de um quinto dos católicos do mundo.
Trump chamou o pontífice de “fraco sobre crime e péssimo para a política externa” em postagem na plataforma Truth Social e retomou críticas em publicações subsequentes, além de divulgar imagens que despertaram polêmica sobre a representação do líder religioso.
O pronunciamento do papa na maior cidade das regiões de língua inglesa de Camarões também ocorreu em um contexto local marcado por um conflito latente há quase uma década e que deixou milhares de mortos, conforme dados e relatos sobre a região.
O conjunto das declarações buscou relacionar denúncias de injustiça global com eventos concretos tanto locais quanto internacionais, mantendo o foco em recursos, responsabilização e consequências humanitárias.

