Irã anuncia que vai retaliar portos do Golfo Pérsico e do Mar de Omã após bloqueio dos EUA
As Forças Armadas da República Islâmica do Irã ameaçaram retaliar contra portos no Golfo Pérsico e no Mar de Omã caso a segurança de instalações iranianas nas águas regionais venha a ser colocada em risco.
“Se a segurança dos portos da República Islâmica do Irã nas águas do Golfo Pérsico e no Mar de Omã estiver ameaçada, nenhum porto no Golfo Pérsico e no Mar de Omã estará seguro”
O comunicado foi divulgado pelo Quartel‑General Central do Khatam al‑Anbiya e repercutido pela mídia estatal nesta segunda‑feira (13), em meio à escalada de medidas anunciadas por Washington.
O Exército iraniano acrescentou uma condição sobre a proteção das rotas e fez uma avaliação do bloqueio anunciado pelos Estados Unidos.
“a segurança dos portos no Golfo Pérsico e no Mar de Omã é para todos ou para ninguém”
“ato ilegal e um sinal de pirataria”
A reação ocorreu depois do fracasso nas negociações para um acordo de paz em Islamabad, no Paquistão, quando o presidente dos Estados Unidos anunciou a instituição de um bloqueio à saída do Estreito de Ormuz.
Em comunicado do Comando Central dos EUA, os militares justificaram as novas regras para a passagem no estreito.
“O bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entram ou saem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”
Em seguida, os mesmos militares indicaram uma exceção quanto à navegação de e para portos não pertencentes ao Irã.
“para embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz de e para portos não iranianos”
O anúncio do bloqueio teve impacto imediato nos mercados de energia, com alta do preço do barril de petróleo tipo Brent, que voltou a superar os US$ 100 por barril, registrando aumento de cerca de 6,5% nesta segunda‑feira.
Antes do início do conflito, cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia passavam pelo Estreito de Ormuz, e estimativas indicam que aproximadamente 20% do petróleo e do gás mundial trafegam por essa rota.
O Irã também especificou que embarcações consideradas ligadas ao inimigo não terão o direito de transitar pelo estreito e anunciou a criação de um mecanismo permanente para controlar a passagem.
“Outras embarcações poderão transitar pelo estreito em conformidade com os regulamentos das Forças Armadas da República Islâmica do Irã”
A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica reafirmou a vigilância sobre a região e voltou a advertir sobre ações contra movimentos considerados hostis.
“Todos os trânsitos e não trânsitos sob controle total das forças armadas. Qualquer movimento equivocado prenderá o inimigo nos vórtices mortais do Estreito”
As declarações de diferentes ramos militares iranianos chegam no mesmo momento em que a presença e as regras de navegação impostas pelos Estados Unidos no Golfo Pérsico e no Mar de Omã passam a dominar o cenário de segurança e econômico internacional.

