Governo dos EUA anuncia bloqueio ao Estreito de Ormuz após negociações falharem
As conversas iniciais entre EUA e Irã terminaram sem um entendimento e, em resposta, o presidente dos Estados Unidos anunciou ações navais destinadas a impedir o trânsito no Estreito de Ormuz. “Também instruí nossa Marinha a buscar e interceptar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã. Ninguém que pagar um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar. Também começaremos a destruir as minas que os iranianos colocaram no Estreito”. A decisão foi comunicada após o encerramento da rodada inicial de negociações, na qual os representantes iranianos recusaram os termos oferecidos.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, deixou o local das discussões informando que os iranianos optaram por não aceitar nossos termos. “Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não vão criar uma arma nuclear e que não vão em busca de ferramentas que possibilitem o desenvolvimento rápido desta arma nuclear. Este é o objetivo central do presidente dos EUA e é isso o que tentamos conseguir nessas negociações”. Vance retornou a Washington depois do encontro.
Posição iraniana sobre confiança e continuidade
A liderança iraniana afirmou que houve disposição para negociar, mas que a desconfiança impediu avanços imediatos. “[Apresentamos] iniciativas promissoras, mas, no fim, o lado oposto não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações”. Mohammad-Bagher Ghalibaf acrescentou que a delegação do país persa não deixará de consolidar ganhos obtidos no conflito.
Em outra declaração sobre os esforços de defesa, Ghalibaf afirmou: “Não vamos cessar nossos esforços por nenhum momento para consolidar nossas conquistas nesses 40 dias de defesa nacional”. A posição expressa pelo chefe do Parlamento iraniano ressalta a continuidade da estratégia adotada por Teerã durante as últimas semanas.
Pontos discutidos e repercussões regionais
Entre os temas abordados na negociação estiveram o Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano, indenizações de guerra, o levantamento de sanções e o fim completo da guerra contra o Irã e na região, informou o porta-voz do Ministério das Relações exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei. “Era natural que tais questões não pudessem ser resolvidas em quase 24 horas de negociações”. Baqaei acrescentou que divergências relativas ao Estreito de Ormuz e a questões regionais persistiram.
O Irã defende o direito de manter seu programa nuclear para fins pacíficos e acusa os Estados Unidos de usar esse tema como um pretexto para impor uma mudança de regime no país persa, mantendo, desde sempre, a negação de intenções de desenvolver uma arma atômica. Em reação a agressões sofridas em 28 de fevereiro, o governo iraniano fechou a passagem pelo Estreito de Ormuz, rota por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, vem afirmando que a gestão do Estreito de Ormuz terá novas regras para passagem daqui para frente, não devendo o Estreito voltar ao status que tinha antes da guerra. A medida elevou a tensão comercial e estratégica global e motivou a reação anunciada pela Casa Branca.
Antes da rodada de negociações, o presidente dos EUA já vinha fazendo ameaças severas contra o Irã caso a passagem pelo Estreito não fosse restabelecida, o que só foi temporariamente acompanhado pela declaração de uma trégua de duas semanas que resultou em um frágil cessar-fogo. As autoridades norte-americanas e iranianas encerraram a fase inicial de contatos sem consenso sobre os pontos centrais.
Divergências sobre o controle e as regras de passagem no Estreito de Ormuz e sobre questões regionais permaneceram como os principais obstáculos à conclusão de um acordo, segundo as informações oficiais divulgadas pelo Ministério das Relações exteriores iraniano.

