Brasil assume presidência e pede Atlântico Sul livre de guerras e tensões

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Ao assumir a chefia da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, o Brasil defende que a região seja preservada de rivalidades geopolíticas e de armas de destruição em massa

O Brasil assumiu a presidência da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul em reunião realizada quinta-feira, 9, na Escola Naval, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, com a proposta de manter a porção Sul do oceano livre de guerras e tensões e com ênfase em medidas de sustentabilidade ambiental.

Mauro Vieira abriu o encontro de ministros e vice-ministros da Zopacas, rejeitando a “importação” de rivalidades e conflitos que “nada têm a ver com os interesses de nossos povos” e adiantando prioridades brasileiras para o período de presidência rotativa de três anos.

Em seu discurso, o ministro ressaltou o impacto global dos atuais confrontos e destacou o cenário internacional que motiva a posição do Brasil. “marcado pelo maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial [1939-1945]”, declarou ao contextualizar a urgência de evitar que tensões extrarregionais se reflitam no Atlântico Sul.

Vieira também relacionou o aumento do custo de energia e alimentos às crises em curso e salientou a dimensão desigual das consequências econômicas. “com impacto desproporcional sobre as economias de países mais pobres e em desenvolvimento”, afirmou ao vincular segurança internacional e bem-estar econômico.

O encontro reúne 24 países, entre eles Brasil, Argentina e Uruguai e 21 nações da costa oeste africana, do Senegal à África do Sul, incluindo Cabo Verde, conforme divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores. A cerimônia marca o início do mandato brasileiro, que sucede Cabo Verde na presidência rotativa da Zopacas.

A Zopacas, criada em 1986 por iniciativa da Organização das Nações Unidas, tem entre seus objetivos centrais manter as duas margens do Atlântico Sul livres de armas nucleares e de destruição em massa e promover cooperação em defesa, segurança, meio ambiente e desenvolvimento.

Na pauta do Brasil estão medidas práticas de segurança marítima para combater tráfico de drogas por embarcações, pirataria e pesca ilegal, além de compromissos ambientais. “Reafirma o apreço pela paz, em um mundo marcado pelo recrudescimento dos conflitos”, sustenta Vieira ao sintetizar a orientação política do bloco.

O Ministério das Relações Exteriores informou que o governo brasileiro pretende levar à próxima reunião da Comissão Internacional da Baleia a aprovação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul e que será assinada ainda hoje a Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul, instrumento que prevê medidas de prevenção, redução e controle de danos ao mar.

A cooperação técnica do Brasil com os demais membros é operacionalizada em parte pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Itamaraty, que apresenta projetos voltados para combate à fome e desenvolvimento econômico, segundo informações oficiais.

Luiza Lopes da Silva, diretora-adjunta da ABC, enumerou áreas de trabalho que o Brasil oferece como exemplo de políticas públicas. “Temas como redução da pobreza, alimentação escolar, agricultura familiar, cooperativismo, construção de cisternas, centros de formação profissional, apoio a micro e pequenas empresas, com o Sebrae, tudo isso são projetos de cooperação que têm um resultado estruturante”, explicou ao detalhar o portfólio de iniciativas.

Sobre a lógica de parceria, a embaixadora ressaltou a demanda e a estratégia dos países parceiros. “Os países escolhem ou nos apresentam as prioridades que deem soberania a eles. De uma forma geral, eles escolhem de uma maneira muito estratégica. Eles sabem o que o Brasil pode oferecer”, contou ao descrever o formato de diálogo e entrega de assistência técnica.

O Brasil destaca ainda sua condição de país com o maior litoral banhado pelo Atlântico Sul, cerca de 10,9 mil quilômetros, e reconhece que, do lado africano, Angola e Namíbia possuem as maiores extensões costeiras, informação que integra o contexto geográfico das iniciativas regionais.

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