Israel é responsabilizado por morte de três jornalistas em 24 horas

news 177785 1775740861

Três jornalistas foram mortos em um intervalo de 24 horas, um na Faixa de Gaza e dois no sul do Líbano. O Exército israelense assumiu a autoria do atentado que matou Muhammad Washah, repórter da Al-Jazeera, enquanto no Líbano as profissionais Ghada Daikh, da Rádio Sawt Al-Farah, e Suzan Al-Khalil, da TV Al-Manar, também perderam a vida.

De acordo com relatos, Washah foi atingido após um drone atingir o carro em que viajava a oeste da cidade de Gaza. A emissora onde trabalhava divulgou que o profissional estava na empresa desde 2018 e rejeitou classificações que o vinculam a grupos armados.

No pronunciamento da Al-Jazeera, a emissora do Catar afirmou o caráter do ataque e refutou as acusações contra o jornalista. “Isto constitui uma violação nova e flagrante de todas as leis e normas internacionais e reflete uma política sistemática contínua de perseguição a jornalistas e silenciamento da voz da verdade. É um crime deliberado e direcionado, com o intuito de intimidar jornalistas e impedi-los de exercer suas funções profissionais”

Em nota, o Exército israelense justificou a operação e apontou suspeitas sobre o vínculo do jornalista com atividades hostis. “Washah atuava sob o disfarce de jornalista da Al Jazeera, explorando essa identidade para promover atividades terroristas contra as forças de defesa de Israel e o Estado de Israel”

Com isso, chega a 262 o número de jornalistas assassinados em Gaza desde o dia 7 de outubro de 2023.

No sul do Líbano, a morte da jornalista Ghada Daikh ocorreu em Tiro; no mesmo dia foi confirmada também a morte de Suzan Al-Khalil, da emissora TV Al-Manar. Esses óbitos elevaram para sete o total de jornalistas mortos por bombardeios israelenses no Líbano desde o dia 2 de março.

O Comitê de Proteção aos Jornalistas, com sede em Nova York, condenou os três assassinatos e pediu resposta internacional diante do quadro de violência que atinge profissionais da comunicação. “O assassinato de jornalistas em Gaza e no Líbano hoje não é incidental – é parte de um ataque mais amplo à liberdade de imprensa. A comunidade internacional deve agir agora para detê-lo”

Segundo a organização, o número de profissionais de mídia mortos no atual conflito supera o registrado em qualquer outra guerra na história, ultrapassando a soma de perdas em conflitos como as duas guerras mundiais, a Guerra Civil Americana, a da Síria, do Vietnã, além das guerras na Iugoslávia e na Ucrânia.

As informações reunidas nesta reportagem foram extraídas de comunicados e declarações divulgadas por emissoras, pelo Exército israelense e por organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também