Foto de campanha expõe foragido da Justiça brasileira ao lado de candidato na fronteira
Uma foto publicada em material de campanha eleitoral em Puerto Quijarro, na Bolívia, colocou novamente em evidência o paradeiro de Ybar Antelo Dorado, procurado pela Justiça Federal brasileira desde 2018. Ele aparece ao lado do filho, Sócrates Antelo Francoso, que disputa as eleições municipais marcadas para este domingo, 22 de março.
O registro circulou nas redes sociais do candidato e chamou atenção por expor publicamente um alvo da Polícia Federal em território boliviano. Sócrates não é investigado e não há indícios de ligação dele com os crimes atribuídos ao pai.
Na fronteira com Corumbá, onde as cidades são separadas por poucos metros, Ybar mantém rotina conhecida por autoridades. Informações obtidas pela reportagem indicam que ele segue vivendo em Puerto Quijarro, usando o apelido “Babalu”.

Dentro da investigação conduzida pela Polícia Federal, ele é apontado como articulador financeiro de um esquema de tráfico internacional de drogas. No grupo, aparece com o codinome “Cumpadre”, associado a funções de financiamento e organização, não à execução direta das atividades ilícitas.
O mandado de prisão preventiva foi expedido em agosto de 2018 pela 1ª Vara Federal Criminal de Ponta Porã, no âmbito da Operação Elba. A ordem tem validade até maio de 2031 e inclui acusações por tráfico de drogas, associação criminosa e financiamento do tráfico, com penas que podem chegar a 20 anos de prisão.
Apesar disso, a medida só pode ser cumprida em território brasileiro. Caso entre no país, Ybar pode ser preso imediatamente. Permanecendo na Bolívia, ele fica fora do alcance direto das autoridades brasileiras.
Histórico anterior na Bolívia
Antes de ser alvo no Brasil, Ybar já havia sido investigado no próprio país. Em 2011, quando era prefeito de Puerto Quijarro, teve imóveis alvos de buscas conduzidas pela força antidrogas boliviana. Na ocasião, funcionários ligados à prefeitura foram presos e ele chegou a ser detido preventivamente.
Após se apresentar às autoridades locais, foi encaminhado à penitenciária de Palmasola, em Santa Cruz de la Sierra. Posteriormente, deixou a prisão sem condenação e retornou ao cargo público, permanecendo na vida política por anos.
Extradição depende de decisão boliviana
A eventual transferência do investigado para o Brasil depende de cooperação entre os dois países. Existe tratado de extradição em vigor desde 1938, mas a legislação boliviana não obriga a entrega de seus próprios cidadãos.
Nesses casos, a alternativa é o processamento do acusado pela Justiça boliviana com base nos mesmos fatos. Na prática, esse tipo de اقدام depende de decisão política e costuma avançar lentamente, o que mantém Ybar fora do alcance imediato da Justiça brasileira.
