Após viagem à Bolívia, caso de Sarampo é confirmado em bebê de seis meses e acende alerta sobre vacinação

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Um caso de sarampo confirmado em uma bebê de seis meses em São Paulo na semana passada trouxe à tona o risco representado por casos importados e a necessidade de manter altas coberturas de vacinação para proteger quem ainda não pode receber a imunização.

A bebê diagnosticada com sarampo viajou com a família para a Bolívia em janeiro, onde há surto em curso desde o ano passado, e ainda não tinha idade prevista pelo calendário do Sistema Único de Saúde para receber a primeira dose da tríplice viral, aplicada aos 12 meses.

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, relaciona a proteção coletiva à vacinação em alta

“A vacina do sarampo também impede a infecção e a transmissão com alta efetividade. Ela tem essa capacidade, que a gente chama de esterilizante. Além de prevenir que a pessoa contraia a doença, ela também evita que essa pessoa seja um portador e transmissor do vírus”

A presença de viajantes provenientes de países com circulação do vírus aumenta a exposição local, tornando crucial que a população alvo esteja imunizada para evitar que casos isolados evoluam para surtos.

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, alerta para a facilidade de propagação entre não vacinados

“O sarampo é uma doença de altíssima transmissibilidade, especialmente entre os não vacinados. A imunização em altas taxas é o que funciona como barreira na circulação do vírus. Mas se isso não acontecer, não é nem necessário que alguém viaje e contraia o vírus lá fora. Basta ficar aqui, com tanta gente vindo de outros países onde há surto, que o risco é o mesmo”

Segundo o calendário do SUS, a primeira dose que protege contra sarampo, caxumba e rubéola é aplicada aos 12 meses, e aos 15 meses é recomendada a tetra viral, que adiciona proteção contra varicela. Bebês vacinados no período previsto ficam protegidos ao longo da vida, e pessoas sem comprovante de vacinação devem ser imunizadas conforme faixa etária.

Para quem não tem registro, a recomendação por idade é clara. Das faixas etárias dos 5 aos 29 anos são indicadas duas doses com intervalo de um mês entre elas. Para pessoas de 30 aos 59 anos, é indicada uma dose. A vacina é contraindicada para gestantes e para pessoas imunocomprometidas.

No ano passado 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, enquanto apenas 77,9% completaram o esquema na idade correta, dados que demonstram folgas na proteção coletiva e aumentam a vulnerabilidade de lactentes que ainda não podem ser vacinados.

O caso ocorrido em São Paulo é o primeiro registrado no país neste ano, após 38 infecções confirmadas no ano anterior, a maior parte importada. Mesmo assim, o Brasil mantém o certificado de área livre de sarampo concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde em 2024, uma vez que não há transmissão sustentada no território, condição que já levou à perda do certificado em 2019 após surtos iniciados por casos importados.

O continente americano apresenta cenário preocupante com elevação de casos e óbitos que reforçam a importância da vacinação em massa. No ano passado houve 14.891 casos em 14 países com 29 mortes, e apenas até 5 de março deste ano já foram confirmadas 7.145 infecções, quase metade do total do ano anterior em apenas dois meses, com situação mais grave no México, Estados Unidos e Guatemala.

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, destaca a gravidade e as possíveis complicações associadas aos surtos

“Nos surtos, em geral, para cada 1 mil casos da doença, a gente costuma ter um óbito, mas estamos registrando uma proporção muito maior. No ano passado, foram quase 15 mil casos nas Américas, com quase 30 óbitos. As complicações mais comuns são pneumonia ou quadros neurológicos, como encefalite”

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, aponta ainda o efeito imunossupressor da infecção e suas consequências

“Durante três a seis meses após a infecção pelo sarampo, o nosso sistema de defesa não funciona corretamente, e a gente fica mais vulnerável a ter outras doenças oportunistas infecciosas, que também podem ser graves”

As informações compiladas nesta reportagem baseiam-se em dados oficiais sobre calendário vacinal e cobertura, relatórios regionais sobre a circulação do vírus e declarações do vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

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