Justiça tenta acordo entre Ratinho, SBT e Erika Hilton em processo de R$ 10 milhões
A Justiça Federal avalia a possibilidade de uma resolução amigável no processo que envolve o apresentador Ratinho e a emissora SBT por declarações transfóbicas. A juíza Clarides Rahmeier solicitou que a União e as partes envolvidas sejam notificadas para verificar a viabilidade de um acordo, ressaltando que a ação judicial seguirá seu trâmite normal caso não haja consenso.
O Ministério Público Federal e a deputada Erika Hilton cobram uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. A petição argumenta que a conduta do comunicador atinge toda a população de mulheres trans e travestis ao negar a legitimidade de suas identidades de gênero, destacando que discursos preconceituosos em programas de grande audiência agravam a vulnerabilidade social desse grupo no país.
O episódio ocorreu na última quarta-feira durante o programa ao vivo no canal paulista. O apresentador questionou a identidade de gênero da parlamentar ao comentar a eleição dela para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, cargo conquistado com a maioria simples de onze votos no segundo turno.
“Ela não é mulher, ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher”
Além da cobrança financeira na Justiça a parlamentar acionou o Ministério das Comunicações com um pedido de suspensão da atração televisiva por trinta dias. A pasta responsável pelas concessões públicas informou que a solicitação se encontra em fase de análise técnica.
A direção do canal enviou um comunicado na sexta-feira informando que considera a situação superada internamente. A emissora defendeu a importância do funcionário para a grade de programação e ressaltou o fim das discussões sobre o tema.
“Ratinho é um dos principais apresentadores e parceiros do SBT. O assunto foi tratado internamente com todos os envolvidos no episódio e já solucionado”

