Cuba registra três meses sem chegada de combustível devido a bloqueio dos EUA
Em coletiva de imprensa em Havana, o presidente Miguel-Díaz Canel alertou sobre o impacto direto do bloqueio energético e quantificou a duração da interrupção nos embarques de combustível. “Já se passaram mais de três meses desde que um navio-tanque entrou em nosso país e estamos trabalhando em condições muito adversas que têm um impacto imensurável na vida de toda a nossa população”
O endurecimento das sanções praticado pelos Estados Unidos reduziu a possibilidade de compra de petróleo no mercado global, conforme a explicação oficial do governo cubano, e contribuiu para apagões que chegam a durar até 30 horas em alguns municípios.
Com cerca de 80% da eletricidade gerada por usinas termelétricas dependentes de combustíveis fósseis, a ilha enfrenta limitações agravadas por um cerco naval aos embarques venezuelanos previsto a partir do final de 2025, segundo relatos das autoridades cubanas.
O governo anunciou ainda que iniciou contatos com representantes dos Estados Unidos com o objetivo de abrir canais de diálogo. “As conversações são para buscar, por meio do diálogo, uma possível solução para as diferenças bilaterais existentes entre nossas duas nações. Essas trocas têm sido facilitadas por atores internacionais”
Havana informou aos Estados Unidos que pretende prosseguir com o diálogo respeitando princípios de igualdade, soberania, autodeterminação e respeito aos respectivos sistemas políticos, de acordo com a fala do presidente na coletiva.
Para mitigar a escassez, o Executivo cubano apontou medidas internas como o aumento da produção de petróleo nacional, a expansão de usinas solares e o uso de veículos elétricos. “Durante o dia, geramos eletricidade utilizando petróleo bruto nacional e nossas usinas termoelétricas. Além disso, a contribuição de fontes de energia renováveis é considerável e, como já mencionamos, varia entre 49% e 51% [do total de energia do país durante o dia]”
Apesar dessas ações, as autoridades reconhecem dependência contínua de importações de petróleo para manter serviços básicos. “Neste momento, dezenas de milhares de pessoas no país aguardam cirurgias que não podem ser realizadas devido à falta de energia elétrica. Entre as dezenas de milhares, um número significativo são crianças que aguardam cirurgia”
Moradores de Havana relatam que a população vive o “pior momento” desde o fortalecimento do bloqueio no final de janeiro, quando começou o recrudescimento das medidas americanas. Entre as consequências estão aumento dos apagões, elevação dos preços de produtos básicos, redução do transporte público e diminuição da oferta da cesta básica subsidiada pelo Estado.
A gravidade da crise é maior nas províncias do interior, onde os cortes podem se estender por quase todo o dia, conforme relatos locais. As autoridades enfatizam que a restrição de fornecimentos afeta setores essenciais como saúde, educação e logística de distribuição de energia.
No último 29 de janeiro, o presidente norte-americano publicou uma Ordem Executiva que descreveu Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança de Washington e prevê a imposição de tarifas comerciais a produtos de qualquer país que forneça ou venda petróleo à ilha.
O aperto do cerco econômico é apresentado por analistas e autoridades cubanas como mais uma tentativa dos Estados Unidos de enfraquecer o governo liderado pelo Partido Comunista, que permanece no poder desde a Revolução de 1959. O embargo vigente já completa 66 anos.
Além das medidas econômicas, o governo norte-americano tem feito ameaças públicas ao regime cubano. O presidente dos Estados Unidos afirmou que o país deve sofrer uma “mudança em breve”, sugerindo ainda que tal alteração ocorreria após a guerra no Irã.

