Broncopneumonia é responsável por internação de Bolsonaro e requer avaliação médica

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O ex-presidente Jair Bolsonaro encontra-se internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital DF Star, em Brasília, com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa, conforme boletim médico.

O documento médico registra que a internação ocorreu após o paciente apresentar febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios, e que exames de imagem e laboratoriais confirmaram a presença de broncopneumonia bacteriana.

A pneumologista Marcela de Oliveira, membro da Comissão Científica de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, ofereceu explicação sobre o que caracteriza o quadro e seus riscos clínicos. “A pneumonia é a infecção das vias aéreas mais terminais, ou seja, quando o agente – geralmente uma bactéria ou um vírus – consegue vencer a primeira barreira, que é o nariz, a boca, a garganta, os brônquios, e chega às vias aéreas mais terminais, na última, que é o alvéolo.”

Em complemento ao entendimento sobre gravidade, a especialista detalhou a razão pela qual infecções nessa região comprometem a função respiratória. “Quando a infecção chega lá, é dita pneumonia. Essa é a forma realmente mais grave de infecção das vias respiratórias porque é lá onde ocorre a troca de oxigênio. Quer dizer que todo o sistema falhou em proteger a entrada desse microrganismo nas vidas respiratórias”

Marcela de Oliveira explicou ainda a especificidade da broncopneumonia, que difere de outras formas pela distribuição dos focos de infecção. “São múltiplos focos de infecção em lobos diferentes.”

A médica ressaltou a relevância do diagnóstico em populações vulneráveis e explicou que a pneumonia integra as principais causas de mortalidade entre idosos e pacientes hospitalizados. “É um diagnóstico que inspira cuidado. Não quer dizer que a pessoa não vai curar ou que necessariamente será uma forma grave.”

Quanto aos fatores que influenciam a evolução da infecção, a especialista citou condições clínicas preexistentes que podem prejudicar a resposta imunológica. “O que interfere muito na evolução e na forma como a infecção vai ocorrer é a condição da pessoa, se ela tem alguma doença que afeta sua imunidade, se ela tem alguma doença não controlada ou que acaba demandando muito do organismo”

Marcela alertou para a apresentação atípica em pessoas com imunidade comprometida, especialmente idosos, e listou sintomas que podem ocorrer sem febre. “Na pessoa com imunidade comprometida, que pode ser pelo fato dela ser idosa, por exemplo, nem sempre há febre.”

Esses quadros podem confundir o diagnóstico porque os sinais não respiratórios assumem destaque. “Nesses casos, os sintomas são atípicos e enganam o indivíduo. Pode ser só uma sonolência excessiva, ele está prostrado há dias, não quer comer, tem confusão mental, tem vômito, tem dor abdominal. Se a pneumonia for principalmente nos lobos inferiores do pulmão, ela acaba refletindo um pouco no abdome”

Sobre condutas e prevenção, a pneumologista informou que o tratamento baseia-se em antibioticoterapia e que a principal bactéria associada é o pneumococo, agente cuja infecção pode ser prevenida por vacina, aplicada de forma seletiva aos grupos de risco. “Nesses pacientes, precisa o alerta. Para eles, sem dúvida, a avaliação médica é fundamental e pode sim ser necessário o internamento. Mesmo nos casos em que ele não ocorra, nesse grupo de maior risco, a avaliação médica de perto é muito importante”

A especialista indicou que, para pessoas com mais de 60 anos, a melhor proteção combina vacinação específica contra pneumonia e acompanhamento médico regular, e que a imunização contra a gripe também contribui ao reduzir coinfecções virais que favorecem evolução para pneumonia. “A própria vacina contra a influenza, que não é específica para pneumonia, também ajuda. Já que a infecção viral propicia a coinfecção e evolução para pneumonia.”

O boletim médico e a avaliação da equipe do DF Star permanecem como referência para acompanhamento da evolução clínica do paciente, e a movimentação na unidade segue sob monitoramento hospitalar.

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