Líder do Irã anuncia que manterá Estreito de Ormuz fechado e promete vingança

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Mojtaba Khamenei fez seu primeiro pronunciamento público desde ser eleito Líder Supremo do Irã e anunciou que não abrirá mão de responder aos ataques que provocaram vítimas iranianas.

“Não abandonaremos a busca por vingança. A vingança que temos em mente não se relaciona apenas ao martírio do grande Líder da Revolução. Pelo contrário, cada membro da nação que é martirizado pelo inimigo é um sujeito independente no dossiê de retribuição”

O novo chefe do Estado em Teerã substituiu o pai Ali Khamenei, morto em um bombardeio no primeiro dia da guerra, e afirmou que manterá operações ofensivas contra posições inimigas na região.

Ao anunciar a continuidade do bloqueio marítimo, o Líder Supremo enfatizou a permanência da pressão sobre a rota por onde circula grande parcela do petróleo mundial.

“Caros irmãos de armas! A vontade das massas populares é continuar a defesa eficaz e que cause pesar. Além disso, a alavanca do bloqueio do Estreito de Ormuz deve certamente continuar a ser utilizada”

O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 25% do petróleo mundial, provocou instabilidade nos mercados e levou países a avaliar a liberação de estoques de emergência.

Mojtaba Khamenei também anunciou medidas para exigir compensações pelos prejuízos econômicos decorrentes da guerra, condicionando-se à recusa do adversário para adotar ações materiais.

“Exigiremos indenização do inimigo e, se eles se recusarem, confiscaremos o máximo de seus bens que considerarmos apropriado e, se isso não for possível, destruiremos a mesma quantidade de seus bens”

Ao justificar a continuidade do apoio a aliados no Oriente Médio, o novo Líder citou que a aliança ideológica com grupos do que Teerã chama de Eixo da Resistência é parte integrante do projeto político iraniano.

“é parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica”

Sobre operações contra instalações militares em países vizinhos, Khamenei afirmou que os ataques visam instalações utilizadas pelo agressor e não os Estados em si, e que essa prática seguirá no futuro.

“Sem atacar esses países, alvejamos exclusivamente essas mesmas bases. De agora em diante, inevitavelmente continuaremos com isso”

O novo Líder pediu ainda que os Estados que abrigam bases de forças estrangeiras esclareçam suas posições diante da atual escalada e sugeriu que a presença dessas instalações compromete a segurança local.

“Aconselho-os a fechar essas bases o mais rápido possível, pois já devem ter percebido que a alegação dos Estados Unidos de estabelecer segurança e paz não passava de uma mentira”

Khamenei conclamou à união interna entre todos os estratos da sociedade iraniana contra o inimigo externo e agradeceu aos combatentes que, em sua avaliação, frustraram planos de dominação e possível fragmentação do país.

“Meus sinceros agradecimentos aos nossos bravos combatentes que, com seus golpes esmagadores, bloquearam o caminho do inimigo e o fizeram abandonar a ilusão de poder dominar nossa querida pátria e possivelmente dividi-la”

O novo Lìder afirmou ter sabido de sua nomeação pela imprensa iraniana e lembrou as perdas pessoais sofridas nos ataques, incluindo a morte do pai Ali Khamenei, além da esposa, de uma irmã, de um sobrinho e de um cunhado.

Impacto econômico e reações internacionais

O bloqueio do Estreito de Ormuz já vem causando efeitos imediatos no comércio global de petróleo e preocupado governos que monitoram a oferta energética. A pressão sobre preços motivou discussões sobre a liberação de reservas estratégicas por parte de países importadores.

No plano diplomático, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas aprovou resolução apresentada pelo Bahrein pedindo que Teerã interrompa retaliações contra Estados árabes da região com abstenções da China e da Rússia, sinalizando divisões internacionais sobre a resposta à escalada.

Escolha do Lìder Supremo e estrutura de poder

No Irã, o Lìder Supremo é eleito pela Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos selecionados por voto popular, e o cargo é vitalício embora a Constituição preveja a possibilidade de destituição pela mesma assembleia.

Ali Khamenei ocupou a posição por 36 anos antes de ser assassinado, e o papel concentra poderes relevantes na hierarquia do Estado. O Conselho dos Guardiões é formado por seis integrantes nomeados pelo Lìder e seis indicados pelo Parlamento, e as Forças Armadas respondem diretamente ao Lìder Supremo, e não ao Executivo.

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