Irã diz que petróleo pode chegar a US$200 com nova escalada e ataques navais

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O Irã afirmou que o mundo deve se preparar para petróleo a US$200 o barril no momento em que suas forças continuaram a atingir embarcações mercantes e a crise no Oriente Médio ampliou pressões sobre os mercados de energia.

Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar do Irã, dirigiu comentários a Washington e enfatizou o impacto econômico do conflito. “Preparem-se para que o petróleo chegue a US$200 o barril, porque o preço do petróleo depende da segurança regional, que foi desestabilizada por vocês”

Conforme relatos, três embarcações foram atingidas nas águas do Golfo Pérsico apenas nesta quarta-feira e o número de navios mercantes danificados desde o início dos combates subiu para 14. Um graneleiro de bandeira tailandesa foi incendiado e a tripulação evacuada, com três pessoas dadas como desaparecidas e supostamente presas na sala de máquinas. Dois outros navios, incluindo um porta-contêineres japonês e um graneleiro das Ilhas Marshall, também sofreram danos causados por projéteis.

Autoridades militares norte-americanas disseram que aconselharam os iranianos a manter distância de portos com instalações navais, e o Irã advertiu que, caso os portos fossem ameaçados, os centros econômicos e comerciais da região seriam “alvos legítimos”.

A situação tem elevado a incerteza sobre a navegabilidade do Estreito de Ormuz, passagem por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, e autoridades relataram a presença de minas no canal, o que complica ainda mais o tráfego marítimo.

Em meio aos ataques, a Agência Internacional de Energia recomendou a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais na tentativa de reduzir um dos piores choques do petróleo desde a década de 1970, medida que recebeu apoio de Washington. De acordo com informações, a quantidade e a velocidade em que essas reservas podem ser liberadas variam entre países e representariam apenas uma fração do fluxo pelo Estreito de Ormuz.

Os preços do petróleo subiram no início da semana para perto de US$120 por barril, recuaram para cerca de US$90 e voltaram a subir quase 5% nesta quarta-feira diante de novos receios sobre interrupção de oferta, enquanto os principais índices de ações de Wall Street registravam queda.

Donald Trump declarou ao site Axios por telefone que não havia “praticamente mais nada” para atingir no Irã. “Quando eu quiser que ela termine, ela terminará”

A ABC News informou que o FBI havia emitido alerta sobre a possibilidade de drones iranianos atacarem a costa oeste dos EUA, alerta que foi citado em discussões internas, embora Trump tenha afirmado não estar preocupado com ataques em solo norte-americano. Mais tarde, ele disse aos repórteres que as forças dos EUA haviam destruído 28 navios iranianos que lançam minas e que os preços do petróleo cairiam.

Objetivos militares e consequências humanitárias

Autoridades norte-americanas e israelenses afirmaram que a campanha busca eliminar a capacidade do Irã de projetar força além de suas fronteiras e destruir seu programa nuclear, enquanto o Pentágono descreveu os ataques aéreos recentes como os mais intensos desde o início da guerra.

Os combates já deixaram cerca de 2 mil mortos, a maioria iranianos e libaneses, à medida que a guerra se espalhou pelo Líbano e provocou caos nos mercados de energia e de transporte, conforme levantamento de autoridades e apurações em campo.

Grandes multidões participaram de funerais no Irã por comandantes mortos em ataques aéreos. Em Teerã, moradores reportaram ataques aéreos noturnos que levaram centenas de milhares a buscarem refúgio no interior e deixaram a cidade tomada pela chuva negra da fumaça de petróleo. Uma autoridade iraniana informou que Mojtaba Khamenei havia sido ferido levemente no início da guerra, quando os ataques aéreos mataram seu pai, sua mãe, sua esposa e um filho, e que ele não havia aparecido em público desde então.

Repercussões políticas e medidas econômicas

Em meio ao aumento do preço de combustíveis em países diversos e com o cenário político interno pressionando o governo norte-americano antes das eleições de meio de mandato, o tema dos preços do petróleo passou a integrar cálculos estratégicos da campanha militar.

O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, informou à CNBC que as empresas petrolíferas norte-americanas anunciarão em breve aumento da produção em resposta aos “sinais de preço”. Ainda assim, analistas destacam que a liberação das reservas e o incremento de produção não compensariam totalmente uma paralisação prolongada do tráfego pelo Estreito de Ormuz.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, procurou justificar a continuidade da operação e lembrou que ainda há alvos a serem atingidos. “continuará sem limite de tempo, pelo tempo que for necessário, até atingirmos todos os objetivos e vencermos a campanha”

Relatos de ataques a hotéis frequentados por norte-americanos no Iraque e avisos sobre planos de milícias alinhadas ao Irã para atacar infraestrutura de petróleo e energia de propriedade dos EUA também circulam entre autoridades, reforçando o clima de alerta na região.

O desenrolar das ações militares, a dimensão dos danos a embarcações e as respostas internacionais determinarão a evolução imediata dos preços e a capacidade dos países de mitigar o choque por meio das reservas e de aumento de produção.

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