Alckmin pede apuração rigorosa no caso Master e reforça punições

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Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, cobrou apuração rigorosa no caso Master em entrevista exibida na estreia do programa Na Mesa com Datena, na TV Brasil na noite de terça-feira. O pronunciamento ocorreu em meio à terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master.

Ao relacionar a dimensão do problema às responsabilidades de fiscalização, Alckmin ressaltou a origem histórica das irregularidades e a necessidade de responsabilização. “Você não tem um desfalque, uma fraude, do ponto de vista bancário, que começou ontem. Isso vem lá de trás. Agora, está ficando claro que tinham pessoas dentro do Banco Central, que é o órgão responsável pela fiscalização e pelo acompanhamento do sistema financeiro, que tinham envolvimentos. Já ficou claríssimo isso. Tem que ser feita apuração rigorosa, punição rigorosa”. O vice-presidente pediu ainda aprimoramento dos instrumentos de controle para evitar repetição de episódios semelhantes.

Ao situar a posição do governo, Alckmin afirmou que não há limitação às investigações e que os poderes têm liberdade para atuar, garantindo um processo amplo de apuração. “O presidente Lula tem sido claro. Ninguém no governo limita investigação. Nenhuma. É investigação rigorosa. Polícia Federal tem liberdade, o Ministério Público, Poder Judiciário. É apurar e fazer justiça, é isso que se deseja. E, de outro lado, responsabilizar e aprimorar os instrumentos de controle. Isso já poderia ter sido pego lá para trás”. Ele enfatizou que a atuação independente das instituições é condição para a elucidação dos fatos.

Na sequência, o vice-presidente defendeu o fortalecimento de órgãos reguladores e de controle, apontando que aprimorar instituições é um processo contínuo. “Esse é um processo permanente de você melhorar as instituições, aprimorar as instituições. Na democracia, tem que ter transparência, tem que ter clareza”. A proposta inclui reforços ao Banco Central e a outros mecanismos de supervisão financeira.

As investigações da Operação Compliance Zero voltaram a ganhar destaque após a prisão do financista Daniel Vorcaro na terceira fase da ação. Vorcaro foi detido com base em mensagens encontradas no celular apreendido na primeira fase, nas quais supostamente fazia ameaças a jornalistas e a pessoas consideradas contrárias aos seus interesses. Anteriormente, ele já havia sido alvo de prisão e liberado com tornozeleira eletrônica.

Conforme as apurações, as fraudes ligadas ao Banco Master teriam provocado prejuízos bilionários a investidores e a entidades públicas e privadas, com impacto estimado de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para ressarcimento a investidores. Autoridades e investigadores seguem avaliando os desdobramentos da operação e a extensão dos danos.

Ao comentar sua situação pessoal e agenda eleitoral, Alckmin confirmou a desincompatibilização do cargo no MDIC em abril para atender à legislação eleitoral, sem antecipar seu futuro político. “Olha, Datena, vice-presidente não precisa deixar a vice-presidência, você continua na vice-presidência. Agora, ministério, para qualquer cargo que você for disputar, você tem que se afastar. Então, no dia 2 de abril, cumprindo rigorosamente a lei, nós vamos nos afastar”. Ele manteve que permanecerá na vice-presidência enquanto as tratativas eleitorais se definem.

Em avaliação sobre o impacto internacional de conflitos, Alckmin projetou efeitos limitados para a economia brasileira em razão das concentrações comerciais do país, apontando contudo elevação nos preços de combustíveis. “Todos os países saem prejudicados, mas o Brasil é o menos prejudicado, porque nossos grandes compradores, parceiros comerciais são China, União Europeia, Argentina, Estados Unidos. Agora, já encareceu o petróleo, então claro que afeta gasolina e diesel”. A análise conecta a geopolítica ao custo energético e à inflação de combustíveis.

Questionado sobre o cenário eleitoral e econômico, o vice-presidente avaliou a polarização global e destacou indicadores domésticos favoráveis que influenciam a percepção pública. “No mundo inteiro, você tem eleições bastante polarizadas. Eleição é comparação, você faz uma comparação. Não tem eleição fácil, mas acredito que as coisas tendem a melhorar”. Ele acrescentou dados sobre mercado de trabalho e renda.

Ao detalhar esses indicadores, Alckmin citou redução do desemprego e estabilização da inflação, relacionando-os a ganhos de renda da população e ao aumento do poder de compra do salário mínimo. “O desemprego é o menor da série histórica e a inflação é 4,2%, a menor também. Então, você tem um ganho de renda da população. Salário mínimo com ganho real. Vamos lembrar que 60% dos aposentados e pensionistas vivem com um salário mínimo no Brasil”. O argumento foi usado para sustentar avaliação positiva sobre o cenário macroeconômico.

No âmbito da segurança pública, o vice-presidente defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e ressaltou o papel das polícias municipais na prevenção local. “Essa PEC dá mais espaço para a ação local. Não vai trocar as polícias, mas vai trazer mais um. A mudança da PEC dando mais poder à polícia municipal vai fazer a diferença, porque você está muito mais próximo da população local”. Ele também apoiou aumento de penas contra o crime organizado e a necessidade de prisão dos cabeças das organizações criminosas.

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