MPRJ cumpre 20 prisões contra grupo ligado a bicheiro preso em MS

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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro executou nesta terça-feira 10, 20 mandados de prisão preventiva contra o bicheiro Rogério de Andrade e membros de seu núcleo de segurança na região de Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro.

Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Comarca da Capital a pedido do Gaeco do MPRJ e estão sendo cumpridos em endereços no município do Rio de Janeiro, em Belford Roxo, Duque de Caxias, Mangaratiba, Nilópolis e São João de Meriti, além da Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

Segundo o Gaeco, os investigados atuavam na proteção de pontos de exploração ilegal de jogos de azar em Bangu, valendo-se de práticas sistemáticas de corrupção para assegurar a livre atividade do grupo criminoso.

A operação conta com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ, da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, da Corregedoria da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária e da Corregedoria da Polícia Civil.

Entre os alvos estão 18 policiais militares e penais, incluindo alguns não na ativa, além de um policial civil que passou a integrar a organização criminosa enquanto ainda ocupava o cargo, conforme a investigação.

Os policiais militares investigados prestavam serviço na Subsecretaria de Gestão de Pessoas, no Batalhão de Policiamento de Vias Expressas e nos 4º, 6º, 14º, 17º, 22º, 23º e 41º Batalhões de Polícia Militar.

Acusações e desdobramentos

Os alvos responderão por organização criminosa armada, com agravante pelo emprego de funcionários públicos e pela conexão com outras organizações criminosas, além de corrupção ativa e passiva, segundo as informações apresentadas pelo Gaeco.

Rogério de Andrade, que já está detido, foi apontado como mandante do homicídio de Fernando Iggnácio em 2020 e preso em outubro de 2024 em desdobramentos dessa apuração. Está custodiado numa penitenciária de segurança máxima em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, desde novembro de 2024.

O homicídio de Iggnácio ocorreu no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes pouco depois da vítima desembarcar de helicóptero, retornando de sua casa de praia em Angra dos Reis. Iggnácio foi atingido por três tiros de fuzil, um deles na cabeça, e teve morte instantânea. O atirador estava escondido em um terreno baldio ao lado do heliporto, conforme o relatório da investigação.

Rogério é sobrinho de Castor de Andrade, histórico chefe do jogo do bicho no Rio e patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel. A disputa pela herança de Castor desencadeou conflitos familiares que envolveram crimes violentos, entre eles o assassinato de Paulinho de Andrade em 1998, crime atribuído a Rogério, e a morte de Fernando Iggnácio.

As medidas desta terça-feira representam continuidade das ações do MPRJ contra a estrutura que protegia pontos de jogos ilegais na região, com apoio de corregedorias e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do próprio Ministério Público.

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