USP cria curso de engenharia com foco em semicondutores e IA

news 170125 1772893002

Nova formação da Escola Politécnica terá entrada independente e reestruturação curricular para integrar projetos práticos desde o início das aulas

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo passará a ofertar uma graduação inédita em engenharia eletrônica e sistemas computacionais. O ingresso para a primeira turma está previsto para ocorrer no vestibular de 2027 com o objetivo de suprir a necessidade de mercado por especialistas em semicondutores e inteligência artificial.

As 56 vagas anuais serão disponibilizadas através de um remanejamento das cadeiras já existentes na engenharia elétrica e não haverá aumento no total de alunos da instituição. A eletrônica deixa de ser apenas uma ênfase escolhida após anos de curso generalista para se tornar uma formação com entrada direta.

Gustavo Pamplona, professor responsável pela organização da novidade, explica que o modelo tradicional já não atendia à velocidade das mudanças tecnológicas. “Essas áreas ficaram muito especializadas. Tecnologias como semicondutores, 5G ou inteligência artificial exigem uma formação mais direcionada desde cedo”.

O formato antigo exigia que o estudante cursasse três anos de disciplinas básicas focadas em matemática e física antes de ter contato com a área específica. A nova grade curricular distribui o conteúdo teórico ao longo de três anos e introduz atividades de engenharia logo no primeiro semestre.

A estratégia busca combater a evasão escolar comum nos anos iniciais e conectar o aluno à profissão mais rapidamente, conforme avalia Pamplona. “A gente precisa trazer a eletrônica logo para o começo da graduação, para motivar os alunos e mostrar onde eles vão aplicar o que estão aprendendo na matemática e na física”.

Essa reformulação utiliza como base o projeto piloto Percurso Competências, testado há três anos na engenharia elétrica. A ideia é permitir que conceitos complexos de exatas tenham mais tempo para serem assimilados enquanto são aplicados em projetos reais.

Os estudantes poderão optar por trilhas de aprofundamento nos anos finais em segmentos como projeto de chips, sistemas embarcados e processamento de sinais. A inteligência artificial, que engloba aprendizado de máquina e redes neurais, já faz parte do ensino de eletrônica da Poli há mais de duas décadas.

O curso se diferencia da engenharia da computação pelo foco maior na infraestrutura eletrônica e no desenvolvimento de hardware. Pamplona esclarece a distinção entre as abordagens das duas graduações. “A computação pensa muito em software, sistemas operacionais e segurança. Nós estamos mais fortes no hardware. É a interface entre as duas áreas”.

A infraestrutura da escola passa por modernizações em laboratórios e salas limpas para fabricação de chips visando receber os novos alunos. O projeto pedagógico também prevê o desenvolvimento de habilidades comportamentais como comunicação e trabalho em equipe para afastar o estereótipo do engenheiro isolado.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também