Presidente do MDB Mulher formaliza nota de repúdio contra filiação de Dado Dolabella
A recente filiação do ator Dado Dolabella ao MDB gerou forte reação negativa entre as lideranças femininas da legenda. O artista anunciou sua pré-candidatura ao cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro, mas a decisão encontrou resistência imediata dentro do núcleo de mulheres do partido.
Kátia Lôbo, secretária nacional da sigla e presidente estadual do MDB Mulher no Rio de Janeiro, utilizou as redes sociais para manifestar sua indignação com a chegada do novo filiado. A dirigente ressaltou que a presença de Dolabella contradiz as bandeiras históricas defendidas pelo grupo, especialmente o combate à violência doméstica.
“Recebi com estarrecimento, surpresa e repúdio a notícia da filiação do ator Dado Dolabella, um homem agressor de mulheres, como todo o Brasil o conhece. O momento é extremamente delicado e grave. Depõe contra tudo o que milito e militei por tantos anos ao longo da minha vida, sendo uma mulher preta, mãe, avó: a não violência contra a mulher, seja ela qual for”.
O momento da filiação foi classificado como inoportuno, ocorrendo às vésperas do Dia Internacional da Mulher. Para a liderança partidária, aceitar o ator nos quadros da legenda neste período representa um ato que contraria a mensagem de proteção e respeito que o núcleo feminino busca transmitir à sociedade.

A vereadora Sandra Santana uniu-se às críticas e reforçou o posicionamento contrário à decisão da executiva em aceitar o ator. A parlamentar avalia que a medida não é apenas um erro estratégico, mas uma afronta aos princípios de segurança e igualdade defendidos pela instituição.
“Convidar, acolher ou legitimar em nossos quadros alguém conhecido por comportamentos misóginos e violentos representa não apenas um erro político, mas um ataque direto aos valores de igualdade, respeito e segurança que defendemos”.
O ator não respondeu aos contatos da reportagem para comentar as notas de repúdio, mas abordou o tema das acusações em um vídeo publicado recentemente. Dolabella defende que os casos são antigos e argumenta que existe uma tentativa de transformar narrativas em verdades absolutas, ressaltando sua elegibilidade perante a justiça. “Cria-se um ambiente de linchamento virtual que destrói. Se eu tivesse sido condenado eu seria inelegível”.
