Agropecuária de MS deve retrair 2,3% em 2026 após safra recorde que elevou o PIB estadual a 5,4%
Mato Grosso do Sul vai fechar 2026 com retração de 2,3% na agropecuária, segundo a Resenha Regional do Banco do Brasil. A queda vem depois de o Estado ter registrado crescimento de 18,6% no setor em 2025 desempenho que puxou o PIB estadual para 5,4%, acima da média nacional.
O recuo tem causa dupla. O IBGE, pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, aponta diminuição de 6,8% na produção de soja, milho e outros cereais em MS. Ao mesmo tempo, o efeito estatístico da base de comparação elevada formada por uma safra considerada recorde amplifica a percepção de queda nos números deste ano.
O PIB do Estado deve fechar 2026 em 1,9%, bem abaixo dos 5,4% do ano anterior. O desempenho coloca MS abaixo da média nacional projetada para o período e encerra quatro anos consecutivos de expansão puxada pelo campo.
Com o campo em compasso de espera, indústria e serviços ganham espaço. A Resenha do Banco do Brasil estima crescimento de 3,3% na indústria que recuou 0,6% em 2025 com destaque para os segmentos de celulose e etanol. Os serviços, que avançaram 3,5% em 2025, devem crescer 2,8% neste ano.
O documento do Banco do Brasil aponta que a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil deve ajudar a sustentar o consumo.
“A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil deve impulsionar a renda disponível das famílias no Centro-Oeste, fortalecendo o consumo e contribuindo para o desempenho econômico regional em 2026, haja vista renda mais elevada e alto grau de formalização da região”, diz a análise.
O Centro-Oeste como um todo liderou a expansão nacional de grãos em 2025, com alta de 23,6% na safra. Agora, a retração está prevista nos três estados da região. “Apesar desse impulso, o setor agropecuário deve registrar retração após a safra recorde do último ciclo.
A queda é esperada nos três estados da região, o que pode moderar o ritmo de crescimento, embora não comprometa a trajetória positiva projetada. Mato Grosso do Sul deve apresentar avanço industrial e nos serviços, porém, com queda na agropecuária, refletindo o comportamento pós-safra excepcional”, detalha o Banco do Brasil.

Fora dos grãos, a cana-de-açúcar aparece como vetor positivo, com expansão estimada de 2,6% na produção regional. O Inmet aponta que a regularidade das chuvas, favorecida pela zona de convergência do Atlântico Sul, ajudou as culturas de verão e a recuperação das pastagens.
Pecuária e emprego seguem estáveis
Na bovinocultura, há expansão trimestral, mas os abates já mostram sinais de desaceleração movimento compatível com um ciclo de retenção para recomposição do rebanho. Suínos e aves foram os destaques de crescimento até o terceiro trimestre de 2025.
O mercado de trabalho em MS segue como um dos mais aquecidos do país, com taxa de desemprego abaixo de 3% próxima do pleno emprego. O Centro-Oeste mantém o maior rendimento médio do Brasil, com salários acima de R$ 3 mil, e criou 149,5 mil vagas formais no acumulado de 2025, alta de 3,56% no estoque de trabalhadores com carteira assinada. Serviços e construção civil foram os setores que mais geraram postos. Dezembro, no entanto, fechou com saldo negativo superior a 60 mil vagas na região, resultado da sazonalidade típica do mês.
Para o economista Eugênio Pavão, mestre em Economia, os juros altos já mostram efeito sobre a atividade. “A alta de juros, usada desde a metade do ano passado para fazer convergir o índice de inflação abaixo do teto, começou a interferir na economia, com leve queda, esfriando assim a demanda por bens e serviços”, disse.
Com informações do Correio do Estado.
