Navegando com Cidadania leva proteção social e fortalece ribeirinhos no Paraguai Mirim
O programa Navegando com Cidadania realizou atendimento direto às famílias do Paraguai Mirim no Alto Pantanal, mobilizando Marinha do Brasil, Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública para garantir deslocamento e infraestrutura às ações.
A operação contou com suporte logístico da Marinha do Brasil, com o apoio do Corpo de Bombeiros sob comando do Tenente-Coronel Pablo Diego, e o emprego de helicópteros cedidos pela Sejusp para agilizar o deslocamento das autoridades e das equipes técnicas.
Foram realizados 75 atendimentos, com predominância de mulheres entre os atendidos, além de crianças, adolescentes e idosos, e também ocorreram dois atendimentos individuais na área de Psicologia e quatro na área da Saúde.
Além dos atendimentos técnicos e das ações de escuta, a Secretaria de Estado da Cidadania entregou kits de pesca, enquanto a Marinha do Brasil distribuiu brinquedos, livros, cortes de cabelo e roupas arrecadadas para a comunidade, em iniciativas que buscaram atender demandas imediatas e fortalecer vínculos institucionais.
A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul participou por meio do 6º Batalhão e do Programa Mulher Segura PROMUSE, com palestra ministrada pelo Sargento Gerson centrada em orientação, prevenção e enfrentamento da violência contra mulheres e meninas, visando reforçar a rede de proteção às famílias ribeirinhas.
Durante a atividade estiveram presentes representantes do Ministério Público e do governo estadual, entre eles a Promotora de Justiça Gabriela Rabelo Vasconcelos da 7ª Promotoria de Justiça de Corumbá, a Secretária de Estado da Cidadania Viviane Luiza da Silva, o Almirante Serafim da Marinha do Brasil e a Coronel Neidy Nunes Barbosa Centurião, Subcomandante‑Geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul.
A população local apresentou uma série de demandas diretamente às autoridades, incluindo a necessidade de urna eletrônica para viabilizar a participação nos processos eleitorais diante das dificuldades de deslocamento até a área urbana, esclarecimentos sobre critérios de elegibilidade para acesso à cesta básica e pedidos por soluções habitacionais tanto no território quanto no espaço urbano.
Foram também apontadas questões territoriais ligadas à ampliação de áreas privadas transformadas em reservas ambientais e o impacto dessa dinâmica na permanência das comunidades tradicionais, além da reivindicação pela continuidade dos estudos para os jovens diante da oferta local restrita ao ensino fundamental, com solicitação pela implantação do ensino médio ou alternativas como a Educação de Jovens e Adultos EJA.
A comunidade registrou demandas relacionadas à saúde sexual e reprodutiva, com pedidos de informações sobre laqueadura, dispositivos intrauterinos DIU e outros métodos contraceptivos, e solicitou o fortalecimento ou a criação de associação comunitária para melhorar a organização local e o acesso a políticas públicas.
Wânia Alecrim, gerente de Políticas Públicas para as Mulheres, ressaltou a estratégia de escuta e construção coletiva.
“Estamos aqui neste território para conversar e dialogar com a comunidade. A maioria presente é de mulheres, mas os homens, as famílias, adolescentes e crianças também participam. Viemos para ouvir, levantar demandas e retornar com políticas públicas voltadas para essa população. Agora vamos sistematizar as informações e voltar com resultados concretos.”
Moradores destacaram a importância da presença do poder público e o impacto das orientações e serviços oferecidos durante a ação.
“Adorei essa ação que teve hoje aqui no Paraguai Mirim. Foram muitas coisas positivas, a gente conversou, foi muito importante para nós. Que não se esqueçam dos ribeirinhos. Nós precisamos muito dessa ajuda.”
Uma moradora nascida à beira do rio no Porto Coqueiro enfatizou o efeito das orientações recebidas sobre defesa da mulher e a necessidade de fortalecer a autonomia feminina para geração de renda local.
“Essa ação que veio hoje é muito importante para nós, ribeirinhos. É de grande valia. Falaram sobre a defesa da mulher, mostraram o que é crime contra a mulher, deram força para a mulher falar. Mostraram que o ribeirinho pode falar, que o ribeirinho tem voz. A mulher ribeirinha precisa de apoio para plantar sua horta perto de casa, com proteção, para poder vender e gerar renda. Essas ações precisam vir mais vezes.”
Em resposta a algumas demandas, a Secretária de Estado da Cidadania assumiu o compromisso de articular alternativas junto ao Governo do Estado, citando inclusive a possibilidade de implantar a EJA para ampliar oportunidades educacionais a adolescentes e jovens que precisam concluir a formação.
A inciativa Navegando com Cidadania consolidou a cooperação entre municípios, Estado e forças de segurança, ao mesmo tempo em que reforçou a presença do poder público em território de difícil acesso e ampliou a rede de proteção social onde ela é mais necessária, com promessa de sistematização das demandas e retorno com resultados concretos.


