Lula critica Zema e cobra uso de recursos para prevenção a desastres climáticos

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a falta de apresentação de projetos de obras de prevenção a desastres climáticos em Minas Gerais apesar da disponibilidade de recursos do PAC na ordem de R$ 3,5 bilhões, posicionamento que marcou o encerramento da 6ª Conferência Nacional das Cidades, em Brasília.

Lula também programou uma visita às cidades mineiras mais atingidas pelo temporal, Juiz de Fora e Ubá, neste sábado (28), após a contabilização de pelo menos 64 mortes em decorrência das enchentes.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao relacionar o impacto das cheias com o que chamou de negligência histórica em relação à população mais pobre, fez a seguinte observação sobre o papel dos gestores locais

“É um descaso porque um prefeito pode saber de antemão que uma determinada área não pode ser ocupada”

Reforço ministerial sobre aplicação dos recursos

O ministro das Cidades, Jader Filho, alinhou-se à crítica do presidente e indicou destinos possíveis para os valores do PAC, citando medidas estruturais para reduzir riscos em áreas urbanas vulneráveis.

Jader Filho destacou também o contraste entre a atual alocação e a gestão anterior mencionando valores e prioridades orçamentárias e acrescentou dados sobre investimentos e a ciência aplicada ao planejamento urbano

“Nós colocamos em prevenção mais de R$ 32 bilhões. Só para o Rio Grande do Sul, foram R$ 6,5 bilhões. A ciência mostra que a gente tem que tornar nossas cidades mais resilientes, adaptadas e preparadas para os eventos climáticos extremos”

Ao criticar a gestão precedente, o ministro apontou que o governo anterior destinou apenas R$ 6 milhões para prevenção, observação feita no mesmo evento em que foram discutidas propostas voltadas à redução de vulnerabilidades urbanas.

Impactos das cheias e medidas de resposta

Levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Cemaden, indicou que a sequência de eventos climáticos extremos atingiu diretamente 336.656 pessoas em todo o país, gerando prejuízos econômicos estimados em R$ 3,9 bilhões.

Como ação de socorro emergencial às vítimas das enchentes, a Defesa Civil Nacional autorizou repasse de R$ 6,19 milhões para ações de resposta em sete municípios afetados em Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul, medida em curso para atendimento imediato às áreas mais prejudicadas.

A Conferência Nacional das Cidades, retomada após 13 anos, teve como tema a construção de uma política nacional de desenvolvimento urbano inclusiva, democrática, sustentável e com justiça social, fórum em que foram defendidas ações de prevenção e adaptações urbanas para eventos climáticos extremos.

Além das questões relativas às enchentes, o presidente voltou a enfatizar a necessidade de aprimorar o enfrentamento da violência contra a mulher, relacionando políticas públicas e educação, e afirmou sobre iniciativas na primeira infância

“Isso é tão sério que eu falei para o ministro da Educação [Camilo Santana] que a gente vai ter que começar a preparar, na creche, o menino para ele saber que não é maior ou mais importante do que a mulher”

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