Diário de mediador registra reviravolta nas conversas entre EUA e Irã

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O ataque conjunto de Estados Unidos e Israel a cidades iranianas neste sábado deixou ao menos 201 pessoas mortas e 747 feridas, conforme informou o Crescente Vermelho.

Uma escola para meninas no sul do Irã foi atingida e pelo menos 85 alunas foram mortas no bombardeio, de acordo com a mesma organização humanitária.

As postagens no X do mediador omani Badr AlBusaidi indicam que, em um intervalo de 48 horas, a perspectiva de um acordo sobre os limites do programa nuclear iraniano mudou de avanço para consternação, após a ofensiva militar.

Em 22 de fevereiro o mediador confirmou a realização de uma rodada de conversas em Genebra e ressaltou otimismo sobre os desdobramentos do encontro “com um impulso positivo para ir além e buscar a finalização do acordo”.

No dia 26 de fevereiro ele avaliou que as negociações encerraram a jornada com “progresso significativo” e anunciou que os negociadores retornariam aos seus países para consultas, com “Discussões em nível técnico ocorrerão na próxima semana em Viena”.

Em 27 de fevereiro Badr AlBusaidi publicou a foto do encontro com o vice-presidente americano J.D. Vance, registrando o intercâmbio de informações acerca das tratativas e destacando “Sou grato pelo engajamento deles e espero avanços adicionais e decisivos nos próximos dias. A paz está ao nosso alcance”.

No mesmo dia ele compartilhou um vídeo de entrevista à rede americana CBS News para expor os termos buscados nas negociações “Sem armas nucleares. Nunca. Estoque zero. Verificação abrangente. De forma pacífica e permanente. Vamos apoiar os negociadores para concluir o acordo”.

Dois dias depois de relatar “progresso significativo” e de afirmar que a paz estava ao alcance, o mediador escreveu estar “consternado” e declarou “As negociações ativas e sérias foram mais uma vez prejudicadas. Nem os interesses dos Estados Unidos nem a causa da paz global são bem atendidos por isso”.

Badr AlBusaidi acrescentou orações e um apelo diante da escalada ao afirmar que reza “pelos inocentes que irão sofrer” e suplicou à administração americana “Peço aos Estados Unidos que não se deixem arrastar ainda mais. Esta não é a sua guerra”.

O papel de Omã como mediador tem sido destacado em função da posição geográfica do país no Golfo de Omã e da Península de Musandam, um enclave que forma o estreito de Ormuz.

O estreito de Ormuz concentra atenção da indústria do petróleo porque por ali passa cerca de 20% da produção mundial. Analistas alertam que um eventual bloqueio por parte do Irã elevaria os preços do combustível no mercado internacional.

O histórico das negociações remonta a 2015 quando o então presidente Barack Obama firmou um acordo que limitava a capacidade de enriquecimento de urânio iraniano em troca de alívio de sanções econômicas, e ao papel do nível de enriquecimento como critério para distinguir usos pacíficos e militares do programa nuclear.

Em 2018 o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo, e em 2025, no primeiro ano do seu segundo mandato, Trump voltou a sinalizar a necessidade de um novo pacto, movimento que contribuiu para pressão sobre o Irã e para a retomada das conversas mediadas por Omã.

Com os combates recentes e a suspensão das negociações ativas, permanece a incerteza sobre a continuidade do processo diplomático e o impacto das ações militares sobre a segurança regional e as rotas energéticas internacionais.

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