Mulheres que usavam bebês para transporte de drogas entre MS para o PR são presas pela Polícia
Operação “matrioska” desarticula esquema de tráfico de drogas que utilizava mães com crianças em rotas de Mato Grosso do Sul para o paraná
A Polícia Civil do Paraná, com apoio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), desarticulou um esquema de tráfico de drogas que utilizava mulheres com bebês e crianças para transportar substâncias ilícitas de Mato Grosso do Sul para o Paraná. A Operação “Matrioska”, deflagrada na quarta-feira (25), revelou que a presença dos menores era uma tática para despistar a fiscalização nas estradas, e que a organização era comandada por um detento de um presídio de segurança máxima em Mato Grosso do Sul.
A Justiça autorizou 24 mandados de prisão preventiva e 34 de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e contas dos envolvidos no esquema. As ordens judiciais foram cumpridas em diferentes localidades do Paraná, em Mato Grosso do Sul e em Santa Catarina, incluindo a cidade de Concórdia, levando à prisão de duas pessoas foragidas e três detidas em flagrante por tráfico de drogas; um adolescente também foi apreendido por ato infracional análogo ao tráfico.
As investigações sobre o esquema começaram em agosto de 2025, após a prisão de uma mulher no Paraná flagrada com mais de dois quilos de crack em um ônibus, o que levou os policiais a identificar uma organização criminosa estruturada e com funções bem definidas. Para a polícia, a presença das crianças no transporte das drogas, em ônibus de linha, era uma estratégia para evitar suspeitas durante abordagens e fiscalizações.
Mesmo recluso em um presídio de segurança máxima, o líder do grupo continuava a comandar as ações, definindo as rotas da droga, coordenando a distribuição e controlando o dinheiro obtido com o tráfico. Durante buscas em sua cela, com apoio de policiais penais e do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP), sete celulares foram apreendidos, suspeita-se que usados para manter contato com integrantes da organização fora da prisão, que também é investigada por lavagem de dinheiro ao usar contas de terceiros, os chamados “laranjas”.
O nome da operação, “Matrioska”, foi escolhido pela polícia em referência à boneca russa que abriga outras menores dentro dela, simbolizando a estrutura em camadas da organização criminosa. As investigações permanecem em curso para identificar outros envolvidos no esquema.

