Relatório registra 129 jornalistas assassinados em 2025, 86 por forças israelenses
Um relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgado nesta quarta-feira (25) contabiliza 129 jornalistas assassinados ao longo de 2025, o maior número já documentado pela ONG desde o começo dos levantamentos.
Do total, 86 mortes, equivalentes a cerca de dois terços do conjunto, são atribuídas às Forças de Defesa de Israel, segundo o documento. A maioria das mortes, 104, ocorreu no contexto de conflitos armados.
Cinco países concentram 84% das mortes registradas no ano, com Israel à frente, seguido por Sudão, México, Rússia e Filipinas.
Contexto e conclusões do CPJ
O CPJ, organização com sede em Nova York, afirma que a elevação do número de vítimas acompanha uma escalada global de combates e ataques a informadores.
“os conflitos armados atingiram níveis históricos em todo o mundo”
“um recorde sem precedentes”
O relatório relaciona a impunidade entre as razões centrais para o aumento dos assassinatos e destaca a insuficiência de investigações transparentes.
“O crescente número de mortes de jornalistas em todo o mundo é alimentado por uma cultura persistente de impunidade para ataques à imprensa: muito poucas investigações transparentes foram conduzidas.”
O documento acrescenta que a falta de responsabilização por parte de autoridades cria condições para novos crimes contra profissionais de mídia, inclusive fora de zonas de guerra.
“O fracasso contínuo dos líderes de governo em proteger a imprensa ou responsabilizar seus atacantes também estabelece as bases para mais assassinatos, inclusive em países que não estão em guerra”
A presidente da entidade, Jodie Ginsberg, ressaltou a importância do trabalho jornalístico no momento atual e alertou para riscos mais amplos quando comunicadores são mortos.
“Os ataques à imprensa são um dos principais indicadores de ataques a outras liberdades. Muito mais precisa ser feito para evitar esses assassinatos e punir os perpetradores. Todos nós estamos em risco quando os jornalistas são mortos por veicular uma notícia.”
O CPJ também enfatiza que as mortes de profissionais de imprensa violam normas do direito internacional humanitário que definem jornalistas como civis e vedam ataques deliberados contra eles.
“os assassinatos de jornalistas violam o direito internacional humanitário”
Casos citados e métodos de ataque
Entre os casos mencionados pelo CPJ estão jogadores de destaque no cenário midiático de Gaza, como Hossam Shabat, correspondente palestino de 23 anos da Al Jazeera no Qatar, morto em março de 2025 durante um ataque israelense a seu carro próximo ao hospital Beit Lahia, no Norte de Gaza. Israel acusou Shabat de ser um atirador do Hamas sem fornecer qualquer evidência das acusações.
O relatório também relembra a morte de Anas al-Sharif, repórter da Al Jazeera que havia alertado publicamente sobre ameaças e difamações repetidas por parte de Israel. Em agosto de 2025, Al-Sharif foi assassinado ao lado de três outros jornalistas da Al Jazeera e de dois freelancers após um ataque a uma tenda que abrigava jornalistas nas imediações do Hospital Al-Shifa.
Além dos combates, o CPJ aponta fragilidade do estado de direito, facções criminosas com liberdade de ação e lideranças políticas corruptas como fatores que explicam mortes de jornalistas em países como Bangladesh, Colômbia, Guatemala, Honduras, Índia, México, Nepal, Peru, Filipinas, Paquistão e Arábia Saudita.
Em alguns desses países, o relatório observa ocorrência anual de ao menos um assassinato de jornalista em períodos recentes, padrão que persiste em lugares como México e Índia na última década e em Bangladesh e Colômbia nos últimos cinco anos.
O documento chama atenção ainda para a crescente utilização de drones contra jornalistas e civis. O número de mortes por ataque de drone saltou de duas em 2023 para 39 em 2025.
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, as aeronaves não tripuladas são empregadas para ataques e vigilância por ambos os lados do conflito, e o CPJ relata que os quatro jornalistas mortos na Ucrânia em 2025 foram atingidos por drones russos.
O relatório do CPJ foi divulgado com informações compiladas ao longo do ano e com contribuições de fontes locais e internacionais, conforme indicado pela ONG.
Com informações da RTP

