Oriente Médio registra escalada entre Irã e EUA com ameaça de nova ofensiva
Washington posicionou no Golfo Pérsico o porta-aviões Abraham Lincoln enquanto intensifica advertências a Teerã, condicionando a contenção de operações militares a um acordo que impeça o desenvolvimento de armas nucleares.
Operações anteriores no terreno aumentam a tensão entre as duas potências, após ataques em junho de 2025 contra instalações militares e nucleares no Irã atribuídos a americanos e israelenses e o subsequente lançamento de mísseis iranianos contra alvos em Israel.
O tom das comunicações oficiais ganhou nova ênfase nas redes sociais na quarta-feira, com o presidente dos Estados Unidos publicando uma mensagem direta. “o tempo está se esgotando”. A advertência ampliou a pressão pública de Washington sobre Teerã.
Alerta no Estreito de Ormuz e risco para o mercado
Autoridades iranianas emitiram um alerta à navegação para o Estreito de Ormuz e divulgaram que promoverão exercícios militares na rota pela qual circulam cerca de 20% do petróleo mundial, medida que já foi considerada no passado como retaliação a ataques anteriores.
Analistas apontam que um eventual fechamento do estreito seria um dos principais vetores de risco econômico relacionados à escalada de hostilidades, em razão da concentração de produção petrolífera no Golfo Pérsico.
Economistas consultados por agências indicaram que a mera possibilidade de que o Irã sofra um ataque elevou o preço do barril em até quatro dólares, pressionando mercados globais de energia.
Contexto interno iraniano e reações internacionais
As tensões externas coincidem com uma crise interna no Irã que se aprofundou no início de 2026, quando manifestações contra o regime teocrático ganharam fôlego. Organizações de defesa dos direitos humanos contabilizam mais de 6 mil mortos e mais de 40 mil presos. O governo iraniano declara 3 mil mortos e qualifica parte dos manifestantes como terroristas.
Além das reivindicações por liberdade política, os protestos também dialogam com questões socioeconômicas, como o alto custo de vida atribuído em parte a sanções impostas por Estados Unidos e aliados. Em resposta, Teerã acusa interferência estrangeira e aplicou medidas de repressão que incluíram o bloqueio da internet.
Conforme divulgou a mídia estatal do Irã, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmou não ter solicitado negociações nem ter entrado em contato com o enviado especial dos EUA, Steve Witkof, reforçando o distanciamento oficial entre os canais diplomáticos.
Fontes informaram que a Casa Branca avalia medidas que vão desde ataques direcionados a forças de segurança e líderes iranianos até ações destinadas a fortalecer a oposição interna, hipótese que o governo de Teerã contrabalançou com ameaças de atingir bases norte-americanas em países vizinhos como o Catar e o Barein em caso de intervenção.
A União Europeia adotou esta semana novas sanções a autoridades e instituições iranianas e qualificou a Guarda Revolucionária Iraniana como organização terrorista, decisão que agravou o isolamento diplomático de Teerã. “Quem age como terrorista deve ser tratado como terrorista” “qualquer regime que mata milhares de pessoas do próprio povo está a trabalhar para a própria queda”.
O conjunto de decisões militares, políticas e econômicas coloca na linha de frente não apenas as capitais diretamente envolvidas, mas também países produtores banhados pelo Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, e apequena margem para estabilidade nos mercados de energia.
Com informações da Reuters, RTP e Lusa.

