Lula defende neutralidade do Canal do Panamá e anuncia apoio formal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou em compromissos oficiais no Panamá a defesa da neutralidade do Canal do Panamá como elemento essencial para a estabilidade do comércio global, e apontou encaminhamento de medida legislativa pelo Brasil.
Ao receber a Ordem Manuel Amador Guerrero, a mais alta honraria concedida pelo Panamá, Lula destacou o caráter prático dessa posição e colocou o Brasil ao lado da soberania panamenha. “Encaminhei ao Congresso Nacional brasileiro a proposta de adesão formal ao Protocolo de Neutralidade do canal. Há quase três décadas, o Panamá administra de forma eficiente, segura e não-discriminatória essa via fundamental para a economia mundial”.
A reafirmação ocorreu em um contexto de tensões internacionais, já que o Canal do Panamá tem sido alvo de investidas e ameaças de tomada por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cenário mencionado nas conversas do presidente brasileiro durante a visita.
Acordos e comércio
No mesmo dia, Brasil e Panamá assinaram instrumentos visando ampliar o fluxo comercial e de investimentos entre os dois países, com destaque para um acordo de facilitação de investimentos e negociações em diversas áreas estratégicas para a relação bilateral.
Sobre o principal dos instrumentos assinados, Lula afirmou a importância prática do pacto e o impacto esperado nas trocas econômicas. “O acordo de facilitação de investimentos que assinamos hoje vai dinamizar o fluxo de comércio e capitais entre nossos países”.
As tratativas também avançaram em temas de transporte aéreo, com a atualização do acordo de serviços aéreos para oferecer maior segurança jurídica ao transporte de cargas, e em negociações para um acordo de preferências tarifárias apoiado pelo Brasil com base na adesão do Panamá como Estado Associado do Mercosul.
O Panamá é o maior parceiro comercial do Brasil na América Central e em 2025 as trocas entre os dois países somaram US$ 1,6 bilhão. A agenda bilateral incluiu, ainda, questões sanitárias. “Assinamos instrumentos e também discutimos a conclusão do procedimento sanitário para a importação de carne bovina, suína e de aves do Brasil”.
Fórum regional e integração
No evento de abertura do Fórum Econômico Internacional Américas 2026, realizado no Panamá, Lula defendeu a ação conjunta da América Latina e do Caribe para enfrentar desafios comuns, e apresentou políticas de integração regional como caminho para maior resiliência econômica.
O presidente afirmou que a neutralidade do canal integra uma visão mais ampla sobre comércio e governança. “com diálogo e pragmatismo, é possível trabalhar em conjunto para alcançar objetivos compartilhados.”
Sobre recursos estratégicos e infraestrutura, Lula destacou potencialidades e a necessidade de articulação. “Infraestruturas integradas geram benefícios econômicos para todos. Aumentar o comércio intrarregional fortalece cadeias produtivas e nos torna mais resilientes a choques externos”.
Ao tratar de desafios transnacionais, o presidente sublinhou a importância da cooperação para temas como segurança. “Precisamos ser capazes de superar diferenças ideológicas em prol dos ganhos coletivos”. “Por isso, é essencial fortalecer os foros de concertação latino-americanos e caribenhos”.
Ainda no Panamá, Lula manteve encontro bilateral com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, para tratar de integração logística e oportunidades de investimento, com foco em rotas para acesso boliviano a portos e escoamento de produção, além da retomada de diálogos em energia e ações conjuntas contra o crime organizado na Amazônia.
Segundo nota oficial da Presidência, foi feito convite para uma visita de Estado ao Brasil prevista para o primeiro semestre de 2026, que deverá contar com a participação de empresários dos dois países, e os presidentes instruíram seus ministros de Relações Exteriores a levantar projetos prioritários como etapa preparatória ao encontro.

