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BR-262 terá pedágio de quase R$ 60 e muda lógica de tráfego com concessão da Rota da Celulose

BR-262 pedágio Rota da Celulose

A BR-262, principal corredor rodoviário entre Campo Grande e o estado de São Paulo, passará a operar sob concessão privada a partir de fevereiro de 2026, dentro do pacote da Rota da Celulose. O trecho terá pedágio acumulado de R$ 57,60 para veículos de passeio e concentrará a maior parte das duplicações previstas no projeto, que redesenha a logística do leste de Mato Grosso do Sul pelos próximos 30 anos.

A concessão será administrada pelo Consórcio Caminhos da Celulose, vencedor do leilão realizado em maio de 2025. A assinatura do contrato, inicialmente prevista para o fim de janeiro, foi adiada e deve ocorrer na primeira semana de fevereiro de 2026, em Campo Grande. Segundo o governo estadual, os diretores da concessionária apresentarão o cronograma de obras e a formalização contará com a presença do ministro dos Transportes, Renan Filho.

O contrato engloba um sistema rodoviário de 870,3 quilômetros, formado pela BR-262, BR-267, MS-040, MS-338 e MS-395. Trata-se da principal malha logística do leste do Estado, usada tanto pelo escoamento industrial da celulose quanto por tráfego regional, transporte de cargas e deslocamentos intermunicipais. O investimento estimado é de R$ 10,098 bilhões, somando obras, operação e manutenção ao longo de três décadas.

br 262 BR-262 pedágio Rota da Celulose

Apesar da concessão começar em 2026, o pedágio não será cobrado de imediato. Pelo cronograma do projeto, os pórticos do sistema eletrônico precisam estar instalados até o 12º mês do contrato e entram em funcionamento no mês seguinte. Na prática, a cobrança aos usuários deve começar apenas em fevereiro de 2027.

Na BR-262, o custo total para automóveis será de R$ 57,60, distribuído em quatro pontos de cobrança ao longo do trecho entre Três Lagoas e Campo Grande. Os valores variam conforme a distância percorrida e foram definidos com base no desconto de 8% oferecido pelo consórcio no leilão, segundo dados do Escritório de Parcerias Estratégicas. A tarifa para veículos maiores será multiplicada conforme a classe, como ocorre em outras concessões.

O modelo adotado será o Free Flow, sem praças físicas nem cancelas. A identificação ocorre por leitura de TAG eletrônica ou da placa do veículo, enquanto o carro segue em velocidade normal. Quem não utilizar TAG terá de regularizar o pagamento junto à concessionária em até 30 dias para não ser autuado por evasão. O sistema elimina paradas, mas transfere ao usuário a responsabilidade de acompanhar e quitar a tarifa.

rota celulose2 BR-262 pedágio Rota da Celulose

É na BR-262 que se concentra a principal intervenção estrutural da concessão. O trecho entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, ligação direta com o complexo industrial da Suzano, terá pista dupla em toda a extensão. Dentro da capital, cerca de 22 quilômetros serão duplicados com barreiras de concreto, devido às restrições urbanas. Em Ribas do Rio Pardo, será implantado um contorno rodoviário duplicado para retirar o tráfego pesado da área urbana.

Já entre Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas, a rodovia continuará majoritariamente em pista simples. Nesse segmento, o projeto prioriza terceiras faixas e acostamentos, apostando em ganhos operacionais e redução de acidentes, sem avançar para a duplicação completa.

A lógica se repete nas demais rodovias da concessão. A BR-267, que liga o sul do Estado à divisa com São Paulo, terá apenas um pequeno trecho duplicado em Bataguassu, enquanto o restante receberá terceiras faixas. Mesmo assim, o pedágio acumulado chega a R$ 43,70. A MS-040, eixo diagonal entre Campo Grande e Bataguassu, terá cobrança de R$ 41,20, sem duplicação, mas com ampliação de acostamentos e faixas adicionais. A MS-338 terá um único ponto de cobrança, e a MS-395 entra no pacote como rota complementar de acesso.

Além das intervenções viárias, o contrato prevê serviços permanentes de atendimento ao usuário, postos da Polícia Militar Rodoviária, implantação de passagens de fauna e ações ambientais alinhadas ao programa Estrada Viva, do governo estadual. A promessa oficial é de que toda a malha concedida passe a ter acostamento, algo inexistente hoje em vários trechos.

A concessão da Rota da Celulose marca uma mudança estrutural na forma como o leste de Mato Grosso do Sul será atravessado. A BR-262, historicamente marcada por acidentes, tráfego pesado e gargalos urbanos, passa a ser o eixo central de um sistema mais caro para o usuário, porém com padrão rodoviário superior. O impacto real dessa equação entre tarifa, obras e segurança só começará a ser sentido quando o pedágio entrar em operação, a partir de 2027.

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