Raio atinge a caminhada de Nikolas Ferreira em Brasília e bombeiros socorrem 72 pessoas

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Descarga elétrica caiu perto de grades metálicas na Praça do Cruzeiro durante ato bolsonarista, e 30 pessoas foram levadas a hospitais do DF

Uma descarga elétrica atingiu a área onde ocorria o encerramento da caminhada promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em Brasília, no domingo, 25, e levou o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal a atender 72 pessoas no local. A corporação informou que 30 vítimas foram encaminhadas para unidades de saúde e que oito apresentavam “condições instáveis”.

A ocorrência foi registrada por volta das 13h, na Praça do Cruzeiro, durante a concentração final do ato que reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Conforme os bombeiros, 42 pessoas atendidas permaneceram estáveis, conscientes e orientadas, enquanto outras precisaram de remoção ao Hospital de Base do Distrito Federal e ao Hospital Regional da Asa Norte.

O raio caiu em um momento de chuva forte e de maior incidência de descargas na região, e atingiu uma área próxima a grades metálicas de proteção. Pessoas que estavam apoiadas na estrutura ficaram feridas, e imagens registradas pelo jornal O Povo mostram manifestantes caindo após a descarga elétrica na área das grades.

A concentração começou a se formar por volta das 11h, e a chuva teve início pouco depois, ainda com manifestantes permanecendo na praça com capas e guarda-chuvas. Parte do público procurou abrigo sob árvores e também em tendas de alimentação montadas nos arredores, antes de a chuva ganhar mais força perto do horário do raio.

No momento das descargas, Nikolas Ferreira não estava na Praça do Cruzeiro, conforme o relato presente na cobertura do episódio. O deputado saiu para o trecho final da caminhada por volta das 10h e chegou ao destino por volta das 15h, acompanhado de apoiadores.

O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu alerta de perigo para Brasília no domingo, com indicação de risco de raios e ventos intensos. O aviso citava a possibilidade de chuva entre 30 e 60 milímetros por hora ou 50 e 100 milímetros por dia, com ventos entre 60 e 100 km/h, além de risco de corte de energia, queda de galhos, alagamentos e descargas elétricas.

A mobilização foi divulgada como “Caminhada pela Paz” e também associada ao movimento “Acorda, Brasil”. O ato em Brasília teve coros com críticas ao presidente Lula e faixas com pedidos de impeachment, além de um carro de som montado na praça para discursos.

Entre os políticos bolsonaristas presentes na manifestação apareceram a deputada Bia Kicis (PL-DF) e o deputado Marcel Van Hatten (Novo-RS). Pela manhã, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve na concentração em que Nikolas estava, mas deixou o local antes do início da caminhada.

Quando chegou ao ponto final, Nikolas fez um discurso curto, com oração e agradecimento a aliados pela mobilização. “Nós vamos agora ter a missão de acordar as outras pessoas. Essa missão é sua”, discursou.

Na sequência, ele pediu uma oração coletiva ao público. “Como último ato final, eu peço para que você coloque a mão no ombro da pessoa que tá na sua frente, pode colocar, e agora nós vamos orar. Nós vamos orar, pedir pra que Deus mova essa nação”, afirmou Nikolas, ao encerrar o ato.

A caminhada teve início em Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, e seguiu até Brasília, em um percurso de pouco mais de 250 quilômetros. A organização do ato foi apresentada como demonstração de apoio a Jair Bolsonaro, que, conforme a descrição do evento, estava detido na Papudinha, e como protesto contra a prisão.

Em um vídeo publicado na internet, o deputado justificou o gesto como ação simbólica. “Eu decidi caminhar até Brasília para um ato simbólico para poder trazer luz a todos os atos que estão acontecendo”, declarou.

Nos primeiros dias, o grupo que acompanhava o deputado tinha adesão menor e depois cresceu, chegando a centenas de participantes, embora nem todos tenham feito o trajeto completo. Lideranças da oposição também se juntaram em trechos, como o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) e os senadores Magno Malta (PL-ES) e Marcos do Val (Podemos-ES).

A Polícia Rodoviária Federal informou à equipe de Nikolas, dias após o início, que só tomou conhecimento da caminhada na BR-040 depois de o ato já ter começado. A PRF alertou para risco de acidentes e comunicou que adotaria providências para preservar a segurança dos manifestantes e dos demais usuários da rodovia.

Os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia solicitaram à PRF medidas administrativas para impedir a continuidade da caminhada, sob o argumento de que não houve comunicação prévia às autoridades, o que teria dificultado o planejamento de segurança e colocado motoristas em risco.

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