MS terá papel fundamental em tratado com a União Europeia e Mercosul
Com o tratado Mercosul União Europeia já assinado e ainda travado na Europa, Mato Grosso do Sul é apontado como peça-chave para escoar exportações e integrar o bloco
Mato Grosso do Sul pode ganhar protagonismo caso entre em vigor o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, assinado no último sábado (17) e ainda dependente de avanço político no lado europeu. A avaliação é do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, ao projetar o Estado como ponto de ligação entre o Brasil e países do Mercosul, com impacto direto na logística e no acesso a mercados.
A entrada em vigor, no entanto, segue travada por resistência na Europa. O texto ainda precisa de aprovação do Parlamento Europeu, etapa citada como necessária após a assinatura formal, enquanto autoridades e setores europeus mantêm críticas que dificultam o andamento do processo.
Na leitura do senador, a posição geográfica do Estado pesa no desenho do acordo quando ele começar a valer. Mato Grosso do Sul faz fronteira com países do Mercosul e abriga a Rota Bioceânica, estrutura associada à melhora no caminho das exportações e ao encurtamento de rotas logísticas, o que pode ampliar a circulação de mercadorias.
O tratado é descrito como sustentado por dois pilares, indústria e agronegócio, setores que concentram parte relevante do interesse econômico no pacote. A expectativa apresentada é de que o movimento abra oportunidades para produtores, com efeitos na geração de renda e no desenvolvimento regional a partir de novos fluxos de comércio.
Entre as mudanças citadas, está a possibilidade de reestruturação na balança comercial de Mato Grosso do Sul, com foco na redução de tarifas para bens industrializados e na abertura de cotas estratégicas para o agronegócio. A dinâmica, segundo a avaliação apresentada, tende a se materializar conforme regras e prazos do acordo passem a valer.
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria aponta que o novo marco regulatório prevê a eliminação imediata de impostos para 5 mil produtos industriais. Dentro desse conjunto, mais de 2.700 itens deixariam de ter cobrança de imposto de importação pela União Europeia imediatamente quando os compromissos entrarem em vigor.
Apesar do apoio de governos e de setores industriais, o acordo enfrenta oposição de agricultores europeus e de ambientalistas. As críticas incluem preocupação com efeitos sobre o clima e com a concorrência agrícola, fatores que alimentam a resistência no continente e ajudam a explicar a demora para o tratado avançar na etapa de validação política.
A implementação, quando aprovada, não deve acontecer de uma vez. A previsão citada é de aplicação gradual, com efeitos práticos distribuídos ao longo de vários anos, o que torna a entrada em vigor apenas o primeiro passo para mudanças mais amplas no comércio entre os blocos.

