Lula diz que Trump quer criar nova ONU e critica proposta de Conselho de Paz

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Em discurso na sexta-feira, Lula criticou a ideia proposta pelo presidente dos Estados Unidos de criar um conselho de paz e afirmou que a iniciativa equivale a uma tentativa de fundar uma nova Organização das Nações Unidas dominada por Washington. “Está prevalecendo a lei do mais forte, a carta da ONU está sendo rasgada e, em vez de a gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que fui presidente em 2003, reforma da ONU com entrada de novos países [como membros permanentes no Conselho de Segurança], com a entrada de México, do Brasil, de países africanos… E o que está acontecendo: o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU”

O convite formal dos Estados Unidos ao presidente brasileiro prevê sua participação no conselho da paz que será criado para supervisionar o trabalho do Comitê Nacional para a Administração de Gaza NCAG, na sigla em inglês, segundo informações sobre a proposta.

Após apontar a proposta americana como um risco ao sistema de decisões multilaterais, Lula relatou que tem buscado interlocução com potências e países emergentes para contrapor o que chamou de tendência ao unilateralismo, mencionando contatos telefônicos com líderes globais. “Estou conversando para fazer com que seja possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado para o chão e que predomine a força da arma, da intolerância de qualquer país do mundo”

O presidente citou nomes dos interlocutores com quem tem mantido diálogo nesta pauta, entre eles Xi Jinping, presidente da China, Vladimir Putin, presidente da Rússia, Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, e Claudia Sheinbaum, presidenta do México.

Ao abordar a América do Sul, Lula fez críticas explícitas à ação atribuída aos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada e primeira-dama Cilia Flores, e expressou perplexidade diante da ocorrência. “Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe, ele sabia que todo dia tinha ameaça. Os caras entraram na Venezuela, entraram no forte e levaram o Maduro embora e ninguém soube que o Maduro foi embora. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América no Sul. A América do sul é um território de paz, a gente não tem bomba atômica”

Em seguida, o presidente reafirmou sua rejeição a confrontos militares e defendeu a preferência por meios pacíficos e políticos nas relações internacionais, contrapondo o que considerou exibicionismo bélico do governo norte-americano. “Eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, não quero fazer guerra armada com a Rússia, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia. Quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível; que a gente não quer se impor aos outros, mas compartilhar aquilo que a gente tem de bom”

O presidente completou a declaração com um apelo por fim a antagonismos do passado. “Não queremos mais Guerra Fria, não queremos mais Gaza”

Encontro do MST e carta entregue ao presidente

O 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reuniu delegações de todo o país entre segunda-feira e sexta-feira, com mais de 3 mil participantes, e encerrou com ato em celebração aos 42 anos do movimento, comemorados no dia 22 de janeiro.

Durante os cinco dias de atividades em Salvador, os membros do MST debateram temas como reforma agrária, produção de alimentos saudáveis, agroecologia e o papel do movimento diante do atual cenário político, conforme a agenda do evento.

Ao final do encontro, o MST entregou ao presidente uma carta que critica tentativas de conter o multilateralismo e cita, entre os exemplos de agressão à soberania, a invasão da Venezuela, além de alertar para interesses econômicos por trás de ações externas sobre bens naturais como petróleo, minérios, terras raras, águas e florestas.

No documento, o movimento reafirma princípios como a luta pela reforma agrária e pelo socialismo, a crítica ao modelo do agronegócio, a oposição à exploração mineral e energética, o internacionalismo e a solidariedade com povos e nações como Venezuela, Palestina, Haiti e Cuba, e convoca a sociedade brasileira a engajar-se em defesa da paz, da soberania e da natureza.

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