Inep atribui percepção de notas menores na redação do Enem a uso de modelos prontos

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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) sustenta que a matriz de correção da redação do Enem permaneceu inalterada para a edição de 2025. A autarquia aponta a utilização massiva de modelos de texto padronizados e os chamados “repertórios de bolso” como a principal hipótese para explicar a impressão de desempenho inferior relatada pelos participantes neste ano.

Relatos sobre uma suposta queda nas pontuações ganharam força nas redes sociais logo após a divulgação dos resultados na última sexta-feira (16). Candidatos expressaram frustração ao comparar os boletins oficiais com o desempenho obtido em simulados e em edições anteriores do exame, o que motivou questionamentos por parte de cursinhos e docentes.

O presidente do Inep, Manoel Palacios, garantiu a manutenção da equipe de avaliadores, dos procedimentos de capacitação e da banca examinadora responsável pelo processo. “Essa percepção pode ser um pouco subjetiva. Ainda não há um estudo que confirme se existe, de fato, uma diferença”.

A diretora de Avaliação da Educação Básica, Hilda Linhares, avalia que a preparação focada em recursos automatizados tende a inserir referências descontextualizadas no texto. O instituto reforça que o uso de esqueletos de redação pré-fabricados, embora passível de punição em edições passadas, tornou-se um alvo mais frequente de penalização devido à intensidade com que esses métodos vêm sendo aplicados.

A Cartilha do Participante, publicada em outubro de 2025, já trazia um alerta específico sob o título “Cuidado com o repertório de bolso”. O documento classifica essa prática como o uso de citações genéricas e memorizadas que não se articulam organicamente com a argumentação desenvolvida pelo estudante ou com o tema proposto.

A competência que avalia o repertório sociocultural exige que as referências sejam pertinentes e integradas ao ponto de vista defendido no texto dissertativo-argumentativo. Identificar inserções forçadas ou decoradas leva o corretor a considerar o item improdutivo, resultando em descontos na nota final do participante.

Educadores de cursos preparatórios observaram um aumento no rigor da aplicação dos critérios, especialmente no que tange à coerência textual. Sérgio Paganini, coordenador de redação do Curso Anglo, nota que a penalização por repertórios automatizados se consolidou em 2025, somada à exigência de uma abordagem projetiva sobre o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento da sociedade brasileira”.

O coordenador de redação do Colégio e Curso pH, Thiago Braga, considera o combate aos textos padronizados uma medida que traz mais justiça ao processo avaliativo, enfraquecendo o mercado de venda de redações prontas. “O aluno copiava um modelo e conseguia 800 ou 900 pontos. Isso perdeu eficácia”.

A diminuição na quantidade de redações com nota máxima tem servido de indicador para as instituições de ensino acompanharem as mudanças na correção ao longo da última década. Dados apontam que apenas 12 estudantes alcançaram a proficiência máxima em 2024, um número considerado estatisticamente baixo por especialistas diante do universo de milhões de inscritos.

A ansiedade dos estudantes também recai sobre o Sisu 2026, que considerará automaticamente as notas das três últimas edições do Enem na disputa por vagas. Manoel Palacios assegura que não haverá prejuízo aos candidatos atuais, pois a comparabilidade entre os resultados dos diferentes anos permanece segura e válida para o processo seletivo.

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