Mato Grosso do Sul intensifica controle e alinha estratégia municipal contra o Aedes aegypti

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O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), iniciou 2026 com um trabalho intensificado de articulação e alinhamento técnico com os 79 municípios. O objetivo é estruturar ações conjuntas de controle vetorial para enfrentar o período sazonal de maior risco para a proliferação do Aedes aegypti.

A estratégia estadual prioriza a padronização das medidas, o apoio técnico às gestões municipais e a atuação integrada em todo o território. Essa antecipação é fundamental, visto que o cenário epidemiológico exige atenção contínua e vigilância permanente.

Conforme Jéssica Klener, gerente de Doenças Endêmicas da SES, o acompanhamento dos dados reforça a necessidade de iniciar as ações preventivas precocemente. “Os registros de dengue neste início de ano estão ligeiramente acima dos observados na mesma semana do ano passado, enquanto a chikungunya já apresenta transmissão em alguns municípios, o que exige vigilância permanente e resposta coordenada”.

Entre as principais medidas fortalecidas neste ano, destaca-se o bloqueio químico adequado, realizado com o uso de bomba costal motorizada. Além disso, a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI) foi ampliada e passa a ser executada por todos os municípios. Essa metodologia consiste na aplicação de inseticida com efeito residual em pontos estratégicos, protegendo áreas de grande circulação por várias semanas.

O Estado também avança na implementação de novas metodologias de monitoramento. A fase final de implantação das armadilhas ovitrampas nos 79 municípios está em curso, restando apenas nove localidades para a conclusão total dessa etapa. Essas armadilhas permitem monitorar com maior precisão a presença do mosquito.

A SES amplia ainda o uso das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), armadilhas que utilizam o próprio mosquito como vetor do produto. Mauro Lúcio Rosário, coordenador estadual de Controle de Vetores, detalha a vantagem do equipamento. “O mosquito entra em contato com o larvicida e acaba levando esse produto para outros recipientes que muitas vezes não são visíveis ou acessíveis, como calhas, telhados ou áreas de construção. Isso nos permite um controle muito mais eficiente”.

Para 2026, a meta da SES é que 100% das prefeituras realizem visitas domiciliares, consideradas a principal ferramenta de prevenção. Durante as visitas, os agentes de combate a endemias e comunitários de saúde orientam os moradores, identificam focos e registram situações que exigem encaminhamento a outros setores.

A capacitação das equipes municipais também faz parte do planejamento, com encontros online, treinamentos e reuniões técnicas para atualização e esclarecimento de dúvidas. O foco do trabalho é garantir a execução das ações de forma regionalizada e integrada.

“Estamos em contato direto com todos os municípios para alinhar as ações de controle vetorial em cada região. A proposta é atuar de forma integrada, oferecendo parceria técnica para que as ações sejam executadas de acordo com as diretrizes nacionais e com a realidade de cada local”, explica Mauro Lúcio Rosário.

Os mutirões de limpeza seguem incentivados, mas com uma abordagem mais estratégica. A orientação é que os municípios identifiquem qual é o depósito predominante em cada localidade, seja caixas d’água, lixo, tonéis ou outros recipientes. Com base nesses dados, as ações de limpeza se tornam mais eficientes. As atividades contam também com o apoio da Vigilância Sanitária, especialmente em pontos estratégicos como ferros-velhos e borracharias.

A SES reforça que o controle do mosquito depende essencialmente do engajamento da população. Crhistinne Maymone, secretária-adjunta de Estado de Saúde, ressalta a importância da responsabilidade individual e coletiva. “A atuação do Estado e dos municípios é fundamental, mas ela se torna ainda mais eficaz quando a população participa ativamente. Pequenas ações no dia a dia, como a limpeza regular do quintal e dos ambientes da casa, fazem diferença na redução dos focos do mosquito e fortalecem todo o trabalho de prevenção desenvolvido”.

A recomendação é que cada morador reserve ao menos 10 minutos por semana para eliminar recipientes que possam acumular água, contribuindo diretamente para a redução do risco de transmissão da dengue e da chikungunya ao longo de 2026.

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