Uems celebra maior conclusão de curso de migrantes internacionais de sua história
Programa de extensão consolidou ações de acolhimento humanitário no segundo semestre de 2025 com recorde de participantes em 14 polos de ensino.
A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) registrou, no segundo semestre de 2025, o maior volume de formaturas de migrantes internacionais já documentado pela instituição. O programa de extensão UEMS Acolhe certificou 329 alunos que concluíram a formação em Português como Língua de Acolhimento (PLAC) e participaram de outras atividades voltadas à integração social e humanitária.
As cerimônias de encerramento ocorreram entre os dias 3 e 17 de dezembro, abrangendo turmas em oito municípios. A distribuição dos concluintes incluiu 124 alunos em Dourados, 91 em Campo Grande, 37 em Naviraí, 33 em Corumbá, 21 em Sidrolândia, 12 em Nova Andradina e 11 em Cassilândia. O alcance geográfico reflete a diversidade de trajetórias de famílias, homens e mulheres que buscam reconstruir a vida no estado.
Desde 2017, a iniciativa se consolidou como referência nacional, atendendo mais de cinco mil pessoas. O coordenador do programa, João Fabio Sanches, ressalta que as ações englobam desde o ensino do idioma até o suporte comunitário e mediação cultural. Em 2025, a operação contou com o apoio de 237 voluntários.
“Para a UEMS essas formaturas simbolizam a força da educação como instrumento de dignidade, autonomia e reconstrução de vidas. Em um contexto nacional de crescimento nos fluxos migratórios, Mato Grosso do Sul se destaca por manter políticas públicas de acolhimento que unem universidade, comunidade local e instituições parceiras. Ficamos muito felizes com a quantidade de alunos que concluíram os módulos e lembramos que em 2026 seguiremos com novas turmas para migrantes internacionais recém-chegados ou que queiram aprimorar seus conhecimentos da língua.”

Impacto na cidadania e inclusão
Além do ensino da língua portuguesa, o projeto oferece oficinas sobre acesso à saúde, serviço social e educação continuada. A Pró-Reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários, Erika Kaneta Ferri, enfatiza a existência de editais exclusivos para o ingresso de refugiados e imigrantes em vagas remanescentes de graduação.
“Estamos nos unindo a importantes parceiros para atender a cada vez mais migrantes internacionais em situação de vulnerabilidade social. Oferecemos aulas de Português e também oficinas com atividades para acesso à educação, saúde, serviço social, orientações sobre educação continuada e um edital exclusivo para ingresso de refugiados e imigrantes em vagas remanescentes e sobrevagas nos cursos de graduação da UEMS. Seguiremos em 2026 oferecendo cada vez mais dignidade, respeito e valorização de todos.”

Histórias de superação
A barreira do idioma é um dos principais desafios enfrentados na chegada ao país. Claudia Cecília Arango Zuleta, aluna colombiana que concluiu o curso em Corumbá, relatou as dificuldades iniciais após obter uma bolsa de estudos na UFMS.
“Se eu não tivesse a oportunidade oferecida pela UEMS, talvez não levasse o estudo adiante. Cheguei sem falar uma palavra em português. Foi um choque muito grande. Na universidade os professores me ajudavam, mas precisava entender. Então, o curso foi fundamental. Hoje, devo muito ao UEMS Acolhe.”

O domínio da língua impacta diretamente a inserção no mercado de trabalho. Uma concluinte da turma de Campo Grande, que iniciou sua trajetória profissional como caixa, destacou a evolução na carreira proporcionada pela fluência adquirida.
“Fiz as aulas em Campo Grande. Comecei como caixa sem saber falar o idioma, mas através do curso fui adquirindo um pouco de fluência. Atualmente, ofereço suporte e serviço aos clientes na área de autoatendimento. Graças ao curso na UEMS, consegui progredir no meu trabalho e interagir com clientes sem medo ou nervosismo. Foi um grande diferencial na minha vida.”
Reconhecimento institucional
O trabalho desenvolvido pelo UEMS Acolhe recebeu menção de boas práticas em relatório nacional do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre ações voltadas a pessoas refugiadas. Em 2024, o programa foi integrado a iniciativas de auxílio à regularização migratória, facilitando processos junto à Polícia Federal para o Registro Nacional Migratório (RNM) e à Receita Federal para a emissão de CPF.
