Tropas da Dinamarca e França desembarcam na Groelândia em meio a tensão com os EUA
Reforço militar europeu no ártico se intensifica enquanto presidente dos estados unidos reitera interesse na ilha e não descarta ações militares
Um contingente de militares da Dinamarca e da França chegou à Groenlândia nos últimos dias, marcando um aumento significativo da presença de forças europeias no território ártico. A movimentação ocorre em um cenário de crescentes tensões geopolíticas, especialmente após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a necessidade de controle norte-americano sobre a ilha.
Na noite da última quarta-feira (14), um avião da Força Aérea Real da Dinamarca pousou no aeroporto de Nuuk, capital groenlandesa, transportando as primeiras tropas dinamarquesas para o local. Militares com uniformes camuflados foram registrados desembarcando da aeronave, conforme imagens divulgadas por agências de notícias. A Dinamarca informou que o objetivo inicial dessas tropas é preparar a infraestrutura para a chegada de mais efetivos e apoiar a organização de futuros exercícios militares.
A presença militar europeia foi rapidamente expandida com a chegada de soldados franceses. O presidente da França, Emmanuel Macron, confirmou na quinta-feira (15) que um grupo inicial de 15 soldados franceses já se encontra na Groenlândia. Macron detalhou que este contingente será reforçado nos próximos dias com a inclusão de meios terrestres, aéreos e navais, incluindo um navio de guerra e uma quantidade não especificada de aeronaves. A operação militar francesa, segundo o presidente, foi denominada “Resistência Ártica” e integra exercícios conjuntos com a Dinamarca.
Outros países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também manifestaram apoio. O Ministério da Defesa da Alemanha anunciou que treze militares do exército alemão seriam enviados à Groenlândia ainda na quinta-feira. Um porta-voz do governo alemão explicou que a missão foi solicitada pela Dinamarca para avaliar possíveis contribuições militares e fortalecer a segurança regional. A Finlândia, por sua vez, comunicou o envio de dois soldados à ilha.
As ações militares europeias ocorrem simultaneamente às persistentes reivindicações de Donald Trump sobre a Groenlândia. Na quarta-feira, o presidente dos EUA reiterou a vitalidade da ilha para a segurança norte-americana, expressando desconfiança na capacidade da Dinamarca de protegê-la. Trump considerou “totalmente inaceitável” qualquer desfecho nas negociações com os dinamarqueses que não resulte na anexação do território aos Estados Unidos, sem descartar opções militares.
Nas semanas anteriores, Trump havia repetidamente afirmado que a Groenlândia é crucial para a segurança dos EUA, visando impedir uma eventual ocupação por Rússia ou China. A Casa Branca reforçou que todas as opções estavam sobre a mesa para garantir o controle da Groenlândia, não descartando uma ação militar para alcançar esse objetivo.
Em Washington, autoridades da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram na quarta-feira com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, para discutir o futuro do território. Após o encontro, um alto representante dinamarquês reportou um “desacordo fundamental” com a postura de Trump. Apesar disso, os lados concordaram em estabelecer um grupo de trabalho para abordar as preocupações de segurança dos Estados Unidos.
A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, enfatizou o desejo de aprofundar a cooperação com os EUA. Contudo, ela deixou claro que o território não aspira ser controlado por Washington, reafirmando sua posição de autonomia dentro da custódia dinamarquesa. No ano passado, em setembro, tropas dinamarquesas já haviam participado de exercícios militares na Groenlândia junto a forças aliadas, preparando o terreno para a atual intensificação de presença militar.

