Ibama emite alerta sobre golpe de falso concurso que imita site do governo

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Esquema fraudulento mira desempregados com promessas de altos salários e utiliza dados pessoais para dar credibilidade a cobranças indevidas via Pix

Criminosos estão explorando a busca por oportunidades de trabalho para aplicar golpes que simulam processos seletivos do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A fraude baseia-se na criação de páginas falsas que copiam a identidade visual do portal Gov.br, induzindo as vítimas a pagarem taxas de inscrição e custos de validação biométrica que não existem.

O esquema tem como alvo principal pessoas desempregadas e concurseiros, atraídos por anúncios em redes sociais que prometem salários de até R$ 9.500 e vagas em diversas localidades. O site fraudulento permite o agendamento de local e horário de prova e direciona os candidatos para supostos procedimentos presenciais em delegacias ou bases da Polícia Militar.

Diante das denúncias, o Ibama publicou um alerta em seus canais oficiais. O instituto reforça que informações sobre concursos e seleções públicas devem ser confirmadas exclusivamente no site institucional ou no perfil verificado do órgão. A orientação para quem foi lesado é registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil. “Desconfie de links compartilhados em perfis de terceiros”.

Relatos de vítimas revelam sofisticação do golpe

A engenheira civil Joice Farias, de 26 anos, foi vítima da fraude dias após o término de um processo seletivo real. O site falso solicitava login em uma interface idêntica à do governo e apresentava informações pessoais precisas, o que aumentou a credibilidade da armadilha. “Todos os meus dados estavam lá. Nome completo, nome da minha mãe, endereço, idade, email, telefone. Até a informação de que o posto da Polícia Militar mais próximo da minha casa fica a exatamente 900 metros de distância”.

Após efetuar o pagamento de uma taxa via Pix, Joice desconfiou quando uma nova cobrança surgiu, supostamente destinada à Receita Federal. Ela não realizou o segundo pagamento e procurou as autoridades. “Por que eu teria que pagar algo para eles? Eu não estou em débito”.

A desempregada Ranna Ferreira, 25, recebeu o link fraudulento por mensagem direta no Instagram. O sistema exigiu o pagamento de R$ 82 após o preenchimento de dados e indicou a necessidade de comparecimento a uma delegacia. A fraude só ficou evidente quando o site pediu mais dinheiro. “Para finalizar, eles pedem outro pagamento de R$ 113 reais”.

Outra vítima, a vendedora Luana Santtos, 29, chegou a perder R$ 200 no golpe, também divulgado via Instagram. A percepção do crime ocorreu tardiamente, após a exigência de uma nova taxa pós-agendamento da biometria. “Depois que é feito o agendamento da biometria, eles direcionam para mais um pagamento de taxa. Foi aí que fiquei desconfiada, só que já tinha feito o pagamento. Eu entrei com uma contestação no banco para ver se recupero o valor”.

A semelhança visual com os canais oficiais também enganou Barbara Lemos, 30, que buscava uma das 15 mil vagas anunciadas falsamente no Facebook. Ela recorreu à inteligência artificial para verificar a veracidade do link, mas já havia realizado a transferência. “Joguei o link no ChatGPT e perguntei se era confiável, e ele informou que provavelmente se tratava de um golpe”.

Posicionamento das plataformas e prevenção

A Meta, responsável pelo Instagram e Facebook, afirmou em nota que atividades destinadas a enganar ou fraudar terceiros são proibidas em suas plataformas e que investe em tecnologia para combater ações suspeitas. A empresa recomenda a denúncia de conteúdos irregulares pelos próprios aplicativos. O Google não respondeu aos questionamentos sobre as medidas adotadas contra as páginas fraudulentas.

Para evitar cair nesses golpes, especialistas e o próprio Ibama recomendam verificar sempre o endereço eletrônico (URL) e confirmar a existência do edital no site oficial (www.gov.br/ibama). Órgãos públicos não solicitam pagamentos em nome de pessoas físicas ou empresas privadas, e todo processo seletivo legítimo possui regras claras publicadas em Diário Oficial.

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